Facebook muda regra de 'histórias patrocinadas'

Agora, rede terá de deixar claro para o usuário que, ao clicar no botão de 'curtir' algum produto, seu nome e foto podem ser vinculados a esse produto

SOMINI SENGUPTA, THE NEW YORK TIMES, SAN FRANCISCO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h06

No que vem complicar seus esforços para aumentar receitas de publicidade, o Facebook aceitou deixar claro para o usuário que, ao clicar no botão de curtir um produto, seu nome e foto podem ser usados de maneira a serem vinculados ao produto. Mas o usuário pode recusar a oportunidade de se tornar um endossador não pago de algum produto.

As mudanças são parte de um acordo feito numa ação coletiva movida contra o Facebook na Justiça Federal de primeira instância da Califórnia. O acordo obriga a empresa a mudar um dos seus mais eficazes instrumentos de propaganda, conhecido como Sponsored Stories - algo como histórias patrocinadas.

Com base no acordo, protocolado na quarta-feira num tribunal em San José, os usuários do Facebook poderão controlar e ver que ações são usadas para gerar anúncios vistos pelos seus amigos no Facebook. No caso de usuários menores de 18 anos, há mais um requisito: a companhia deve oferecer uma maneira de os pais desses menores manterem os filhos fora dos anúncios.

O acordo não impede o Facebook de usar o recurso das histórias patrocinadas, que os executivos da rede social já disseram repetidamente ser a forma mais eficaz de publicidade, porque não se assemelha a qualquer tipo de propaganda tradicional. Tanto na internet como nos celulares, uma história patrocinada traz o nome e a foto de um amigo do Facebook que clicou no botão "curtir" de um produto ou organização.

É exatamente por isso que as histórias patrocinadas podem confundir ou incomodar alguns usuários. Até agora, quem utiliza o Facebook fica sem saber quando e como é explorado para fins de propaganda e pode não ter percebido que um clique em algo tão vago como um botão "curtir" pode ser usado para tornar o Facebook mais rico.

A empresa não fez comentários sobre o acordo em si. Em sua defesa, declarou que os usuários dão um "consentimento implícito" cada vez que clicam o botão de uma página particular. A companhia fará emendas nos termos de uso de modo a deixar claro que o usuários dá à empresa permissão para usar o seu nome, sua foto de perfil e conteúdo.

"Isso significa, por exemplo, que você permite que uma empresa ou outra entidade nos pague para exibir seu nome e/ou perfil com seu conteúdo ou informação", é o que se infere da redação do documento protocolado no tribunal.

A companhia também oferecerá novas configurações para permitir que o usuário controle qualquer das suas ações que serão vistas nas histórias patrocinadas.

As mudanças devem estar concluídas dentro dos próximos seis meses. Quanto ao número de usuários que devem se recusar a participar nos anúncios, ainda é uma incógnita. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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