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Factoring vira tábua de salvação

Empresa antecipa recebíveis, mas cobra até 10% ao mês

, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

Sem cacife para disputar crédito bancário com grandes companhias, como Petrobrás, Gerdau e Votorantim, pequenas, médias e até grandes empresas têm sido obrigadas a recorrer cada vez mais a operações de factoring para obter capital de giro e manter as atividades. Por meio dessas operações, a empresa antecipa o recebimento de duplicatas e cheques pré-datados, mediante um desconto em relação ao valor que receberia na data de vencimento do documento.Como não é uma operação de crédito, mas de fomento mercantil, as taxas de remuneração pela transação são pesadas, variando de 3% a 10% ao mês.Nos últimos quatro meses, auge da crise de crédito, o volume de recursos envolvidos nessas operações deu um salto de 40%. Segundo a Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil (Anfac), as empresas do setor movimentaram, em média, um total de R$ 8,5 bilhões por mês no último trimestre de 2008. No primeiro semestre, essa média havia sido de R$ 6 bilhões, valor que subiu para R$ 7 bilhões entre julho e setembro. Neste início de ano, a demanda exibe o mesmo ritmo acelerado do quarto trimestre de 2008. Período tradicionalmente fraco para o setor, o mês de janeiro surpreendeu. "O movimento se manteve ao redor de R$ 8,5 bilhões por mês", diz Luiz Lemos Leite, presidente da Anfac. A questão é que a crise financeira mundial fez os bancos ficarem ainda mais seletivos na concessão de empréstimos. "As pequenas e médias empresas são as primeiras a serem cortadas pelos bancos na concessão de crédito", explica Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).Como se isso não bastasse, os bancos pequenos e médios, que costumam conceder crédito para as empresas de menor porte, foram os mais afetados pela crise. Ao mesmo tempo, grandes empresas que antes tinham acesso a dinheiro barato no exterior passaram a se financiar no mercado doméstico. Para se ter uma ideia do tamanho da encrenca, dados do Banco Central mostram que, em 2008, elas captaram US$ 13 bilhões por meio de empréstimos diretos ou notas e commercial papers emitidos no exterior . O valor é 40% inferior aos US$ 21,5 bilhões captados em 2007."O volume de crédito no mercado brasileiro pode até ter voltado aos níveis anteriores aos da crise, mas as empresas que tomavam dinheiro no exterior estão tirando o dinheiro que ia para o José João da Silva", diz Ribeiro de Oliveira, referindo-se às pequenas e médias empresas.O empresário Luiz Loreti Netto, dono da Iberplas Sign & Design, que atua no segmento de comunicação visual, teve praticamente todas as suas linhas de crédito cortadas pelos bancos. "A situação ficou dramática depois que o banco Nossa Caixa simplesmente mandou para protesto um débito equivalente a US$ 200 mil que ainda não havia vencido", conta.Com faturamento mensal da ordem de R$ 2 milhões, mas pendurada numa dívida bancária de R$ 4,5 milhões, a Iberplas não teve como amortizar o débito cobrado na Justiça."A única alternativa à concordata foi recorrer ao factoring", diz o empresário. Hoje, ele negocia com fornecedores a ampliação do prazo de pagamento de 30 para 90 dias, para dar mais fôlego de caixa à empresa.

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