Andre Chung/The Washington Post
Andre Chung/The Washington Post

‘Fake news’ vira moda até no Newseum

Museu dedicado à liberdade de expressão se rende à expressão de Trump para vender mais camisetas

The New York Times, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2018 | 05h00

A missão declarada do Newseum é a dedicação à liberdade de imprensa e a fachada do edifício do museu tem uma reprodução gigante, em mármore, do texto da primeira emenda da Constituição americana. Dessa forma, foi uma surpresa para alguns visitantes do museu de Washington descobrir que a loja de lembrancinhas começou a vender uma camiseta com a frase “Você é muito ‘fake news’”.

A oferta da camiseta pelo museu – vendida por US$ 19,97 (cerca de R$ 75) – foi percebida por uma organização de defesa do jornalismo, o Poynter Institute. “Acho que obviamente foi uma tentativa de fazer piada”, disse Robert McNeil, autor e curador emérito do Newseum. “Mas não tem graça.”

“Fake news”, claro, se tornou um mantra do presidente americano, Donald Trump, e de seus aliados, que argumentam que a mídia tradicional apresenta uma visão distorcida da administração federal. A retórica chegou ao ponto de Trump dizer que jornalistas devem ser considerados “inimigos do povo”.

Portanto, a ideia de uma camiseta com os dizeres ser vendida em um local criado para honrar o bom jornalismo parece fora de propósito. “Se eles estão precisando de dinheiro, eu posso fazer uma doação”, disse Jim Acosta, correspondente da CNN na Casa Branca. Acosta é um dos alvos principais de Trump, que se refere a ele como “traidor”.

O Newseum tem problemas financeiros, altas dívidas e dificuldade de manter um edifício caro em uma cidade cheia de museus gratuitos. A venda de lembrancinhas tem a função de ajudar no fluxo de caixa.

Além da camiseta “fake news”, o museu vende um livro de colorir em que Trump aparece como um super-herói, chapéus onde se lê “Faça a América grande novamente” e também bonés do FBI – esses últimos itens, aliás, são os campeões de venda.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.