'Falamos sobre o jogo da transparência, mas não o jogamos', diz estudioso de Columbia

William B. Eimicke, especialista em gestão pública, defende uma reforma nas leis brasileiras como medida para combater a corrupção

O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2016 | 07h00

SÃO PAULO - O especialista em gestão pública e inovação do Centro Picker de Educação Executiva da School of International and Public Affairs da Universidade de Columbia, William B. Eimicke, avalia as leis de licitações públicas e contratações, no Brasil e em outros países, como passíveis de corrupção por serem rígidas demais. Conforme analisa Eimicke, é preciso que haja um incentivo à ética antes da punição por corrupção.

"Temos que começar a criar uma cultura honesta em vez de redobrar os esforços para pegar bandidos. É preciso reformar o sistema e, então, a conformidade e a responsabilidade vão funcionar. Se não reformarem o sistema e não tiverem um sistema que foque em prevenção em vez de apreensão, nunca irão progredir", reflete o professor.

De acordo com Eimicke, o combate à corrupção começa por uma reforma no Poder Judiciário, bem como um acompanhamento mais estreito do poder público sobre a iniciativa privada. "Falamos sobre o jogo da transparência, mas não o jogamos. Por exeperiência própria posso falar, tendo negociado contratos no Brasil que, se eu não amasse o país, se o Brasil não fosse tão importante e se eu fosse só do setor privado, eu nunca faria negócios aqui. É impossível. É muito difícil", relata o especialista.

A entrevista foi gravada durante o Lemann Dialogue, uma conferência que reúne alunos bolsistas da Fundação Lemann das Universidades de Columbia, Harvard, Illinois e Stanford. 

O conteúdo integra a plataforma UM BRASIL, idealizada pela FecomercioSP, que nesta série conta com a parceria do Columbia Global Center no Rio de Janeiro e do Lemann Center for Brazilian Studies da Universidade Columbia.

As gravações aconteceram em Nova York, entre os dias 16 e 20 de novembro de 2015. Confira aqui a íntegra da entrevista.

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