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'Falha' republicana pode ser saída para Biden no Congresso

Com 52% de reprovação entre os americanos, Biden pode depender de uma virada negativa para o Partido Republicano nas eleições legislativas para manter controle do Congresso

Fábio Alves*, O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2022 | 04h00

A invasão ao Capitólio, na capital americana, completa um ano amanhã, e o relatório da comissão da Câmara dos Deputados que investiga o ataque será decisivo não somente para as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro, mas principalmente para o restante do governo Joe Biden.

Em meio à disparada nos casos de covid e ao forte aumento nos preços de energia, especialmente da gasolina, o que afeta em cheio o humor dos consumidores americanos, o índice de desaprovação de Biden está em 52%, enquanto apenas 43% aprovam o seu governo – praticamente em linha com o desempenho de seu antecessor, Donald Trump.

Historicamente, o partido que ganha a eleição presidencial acaba perdendo assentos e, por tabela, o controle da Câmara no pleito legislativo no meio de mandato. Trump, por exemplo, perdeu 40 assentos e Barack Obama, 63. Em novembro, a eleição incluirá todos os 435 assentos na Câmara e um terço do Senado.

Os Democratas têm uma apertada maioria (221 assentos contra 213 dos Republicanos) na Câmara, enquanto o Senado está dividido ao meio.

Se os democratas perderem o controle da Câmara, Biden será forçado a governar por decreto nos últimos dois anos de seu mandato. Foi o que aconteceu em boa parte da gestão Obama, que apenas teve o controle do Congresso nos dois primeiros anos do seu primeiro mandato. Com Trump aconteceu a mesma coisa.

O problema de governar por decretos é que o próximo presidente pode facilmente, com apenas uma canetada, desfazer o que o seu antecessor autorizou. Aliás, foi o que Biden fez com muitos dos decretos assinados por Trump.

Mais ainda: se perder o controle da Câmara, Biden dificilmente conseguirá deixar como legado o programa que seria a assinatura do seu governo: o Build Back Better, pacote de US$ 1,75 trilhão que prevê gastos em áreas sociais e legislação ambiental. Sem o controle do Congresso, os últimos dois anos do governo Biden podem ficar marcados por uma paralisia.

A esperança dos democratas de reverter o momento favorável aos republicanos a caminho da eleição legislativa de novembro é o relatório provisório da comissão da Câmara que investiga a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Se o relatório, que será divulgado até meados deste ano, mostrar que Trump e líderes de seu partido mentiram sobre o ataque, a opinião pública poderá se voltar contra os republicanos na eleição de novembro. Ou seja, o descrédito dos republicanos talvez seja a única salvação de Biden.

*COLUNISTA DO BROADCAST 

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