Falhas apontadas pela UE são repassadas ao governo

Governo não descarta a possibilidade de descredenciar empresas que não cumprem as regras

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

07 de março de 2008 | 15h52

As falhas apontadas pela União Européias (UE) durante as inspeções que estão sendo feitas em fazendas de pecuária de corte em cinco Estados brasileiros têm sido repassadas a representantes do Ministério da Agricultura, em Brasília. Técnicos do governo federal e dos Estados que acompanham as visitas têm conversado com freqüência, pessoalmente ou por telefone, com a equipe da Secretaria de Defesa Agropecuária, que é responsável, desde 2007, pelo sistema de rastreabilidade.Nas conversas, os brasileiros relatam os problemas encontrados pelos europeus nas fazendas, mas a posição do Ministério é de esperar o relatório que será elaborado pelas autoridades européias antes de propor alterações no modelo de rastreabilidade. "Precisamos esperar pelo relatório", contou uma fonte. O controle na movimentação de animais é uma das principais queixas.Uma alternativa que está sendo avaliada pelo governo brasileiro é ampliar o controle sobre as empresas certificadoras que serão responsáveis pelo processo de rastreabilidade dos rebanhos. O governo não descarta a possibilidade de descredenciar empresas que não cumprem as regras. Atualmente 48 empresas são autorizadas pelo ministério. Desse total, 20 podem ser cortadas. Entenda a crise Em janeiro, os europeus barraram a carne nacional por questões sanitárias e, na quarta-feira, voltaram a liberar o comércio apenas com as fazendas que seguiam os padrões estabelecidos por Bruxelas. As várias listas apresentadas pelo Brasil de fazendas foram motivo de polêmica tanto dentro da Europa como no governo brasileiro. O Itamaraty e o Ministério da Agricultura trocaram farpas sobre a estratégia a ser seguida e diplomatas chegaram a acusar o setor de estar prejudicando a imagem do Brasil e sua credibilidade com os europeus. Originalmente, os europeus haviam pedido uma lista com 300 fazendas. O governo apresentou 2.681 propriedades que não foi aceita pelos europeus. Uma segunda lista de 523 propriedades também foi recusada por Bruxelas. O Brasil aceitou apresentar uma lista com 150 fazendas. Mas parte dessas apresentaram problemas nos documentos e nos relatórios. Os europeus, nos bastidores, se queixaram de forma contundente contra a falta de informações sobre as propriedades que o Brasil teria certificado. Muitas nem sequer tinham o nome do dono da propriedade. A missão da FVO (Departamento de Alimentação e Veterinária da União Européia) apontou falhas no sistema brasileiro de rastreamento de gado como a principal preocupação da União Européia em relação à carne que compra do País.

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