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Falsificação atinge até mesmo produtos para filantropia

A pirataria está se tornando tão profissional no Brasil que chegou até aos produtos que têm parte de sua renda revertida para ações sociais. Uma das maiores vítimas tem sido a campanha "O Câncer de Mama no Alvo da Moda". Coordenada pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), a campanha arrecada dinheiro com a venda de camisetas e outros produtos, como bolsas e sandálias, com o símbolo da causa, um alvo desenhado em azul. Uma porcentagem da renda vai para o IBCC, para ajudar no combate ao câncer de mama. O produtor-executivo da campanha, Onésimo Afini Júnior, diz que as falsificações sempre existiram, mas começaram a se tornar fonte de preocupação há cerca de oito meses. "Isso ocorreu conforme a campanha foi ganhando mais espaço na mídia e a colaboração de muitos artistas", diz. Ou seja: usar a camiseta da campanha acabou virando moda e símbolo de status, assim como usar um tênis Nike. O preço médio das camisetas da campanha, fabricadas atualmente pela Hering, varia de R$ 22 a R$ 25 - sendo que, desse valor, R$ 6,50 vão para o IBCC. Nos camelôs, as peças são encontradas por R$ 5. É possível encontrar também, por R$ 8, bolsas ostentando o símbolo da campanha. O interessante, aí, é que as bolsas vendidas pelos ambulantes em nada se parecem com as originais, fabricadas pela Grendene. "Os criminosos, hoje, não apenas falsificam como também desenvolvem produtos", ironiza Afini Jr. Causa criminosa disfarçada de causa socialO Programa Ação Criança, que tem como objetivo combater a desnutrição de crianças de 0 a 6 anos em vários Estados brasileiros, também tem sido alvo dos falsificadores. As camisetas da campanha, fabricadas pela Marisol, começaram a ser pirateadas em 1998, segundo o gerente de marketing do Ação Criança, Guilherme Duarte. "O volume de falsificações aumentou muito, nos últimos dois anos, conforme foram aumentando as vendas das nossas camisetas." Uma camiseta original da Ação Criança custa R$ 19, enquanto a falsa não sai por mais de R$ 10. Segundo Duarte, o projeto deixou de vender, no ano passado, pelo menos 10 mil camisetas por causa das falsificações. Isso significa um prejuízo de R$ 50 mil para a campanha, porque, a cada unidade vendida, R$ 5 vão para o projeto. Da mesma forma, no ano passado, a campanha "O Câncer de Mama no Alvo da Moda" deixou de arrecadar, por conta das falsificações, R$ 500 mil. "Esse dinheiro daria para o comprarmos mais três mamógrafos para o IBCC", lamenta Afini Jr. Para não comprar gato por lebre e achar que está colaborando com a causa - sendo que, na verdade, não está prestando nenhuma ajuda -, a dica para os consumidores é atentar para a marca das camisetas vendidas. Além disso, os produtos originais vendidos pelas campanhas também acompanham certificados de doação anexados às etiquetas. Afini Jr. e Duarte chamam a atenção, porém, para a necessidade de as pessoas se conscientizarem de que, comprando esses produtos, estão prejudicando campanhas importantes. "As pessoas têm orgulho de participar das causas sociais. Assim, quem quiser mesmo se engajar nas campanhas deve comprar os produtos originais", diz Duarte. Mas, se comprar produtos falsificados é contribuir com o crime de estelionato, o que se pode dizer de quem compra cópias de produtos que têm parte de sua arrecadação revertida para ações sociais? "Esse é um tipo de crime contra toda a população", diz Afini Jr.

Agencia Estado,

10 de março de 2002 | 09h58

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