Marcio Fernandes/Estadão
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Falta ao Brasil disciplina orçamentária, diz diretor do Bradesco

Segundo o diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octavio de Barros, a rigidez do gasto público tem a ver com interesses fundamentados em leis

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

14 Setembro 2015 | 15h07

SÃO PAULO - Para o diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octavio de Barros, falta de uma agenda de governança orçamentária ao Brasil. De acordo com ele, que participou de evento na Fundação Getúlio Vargas, as pessoas podem estar pensando apenas na questão fiscal, de superávit primário, mas que é preciso ir além disso.

"O problema do Brasil é a falta de disciplina orçamentária. O Brasil é um dos poucos países que não tem esta disciplina", disse. Segundo Barros, o crescimento dos gastos primários no Brasil vem avançando sistematicamente acima do PIB nominal, entre 0,3 e 0,5 ponto porcentual todo ano, e a carga tributária, consequentemente, segue a voracidade do gasto público por razões "históricas de interesses que se consolidam em leis e rigidez" no País.

"No geral, a rigidez do gasto público no Brasil tem a ver com esses interesses que, ao longo de décadas, se consubstanciam em leis", disse Barros, acrescentando que a questão da qualidade do gasto é fundamental, mas que mais importante é a necessidade da volta do "velho rudimentar". Barros se referiu à proposta do então ministro do Planejamento Paulo Bernardo, rechaçada e classificada pela então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff de rudimentar.

A proposta de Bernardo, em linhas gerais, previa o condicionamento do crescimento dos gastos públicos ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "Eu acho que é isso que todo país do mundo tem, uma disciplina orçamentária. O gasto tem que ter algum tipo de regra de crescimento e a briga ideológica que se dê em torno do orçamento lá no Congresso", disse, ressaltando que à medida em que se cria uma "camisa-de-força" favorece a criação de superávits primários.

"No dia em que aprovarmos regras para os gastos públicos, os mercados vão reagir imediatamente, trazer isso a valores presentes. Nós vamos ter queda da taxa de juros na hora, melhora da confiança e, certamente, uma menor tensão sobre o mercado de câmbio", disse o diretor do Bradesco.

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