Falta da cultura empreendedora é desafio

As facilidades para abrir um negócio baseado na internet - proporcionadas pela infraestrutura tecnológica hoje mais barata, armazenamento em nuvem e meios de pagamento mais simplificados - contrastam com a ausência da cultura empreendedora no Brasil.

O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2014 | 02h04

A dificuldade que as aceleradoras têm na hora de selecionar startups é um dos reflexos disso. Frederico Lacerda, sócio da 21212 - que tem base no Rio de Janeiro e em Nova York -, conta que, neste ano, conversou com mais de 1,5 mil jovens empresas para escolher apenas dez. "A maioria não estava pronta para ser acelerada", diz.

Entre os pontos fracos das recusadas estão, geralmente, o fato de elas não terem identificado um problema claro para ser resolvido no mercado e não saberem como se diferenciar da concorrência. Outra desvantagem é o perfil inadequado do empreendedor, o que pode ser traduzido como falta de experiência na indústria em que deseja atuar.

Para tentar contornar essa falta de familiaridade com os desafios do mundo empresarial, a aceleradora vai lançar uma escola de empreendedorismo em 2015. Chamado 21212 Academy, o projeto será composto por aulas presenciais e online, eventos de networking, entre outros tipos de assistência. Qualquer pessoa interessada em empreendedorismo digital e startups poderá se candidatar.

Vinícius Machado, gestor de projetos da Associação Brasileira de Startups, destaca ainda a cultura de não saber administrar dinheiro como um dos fatores que mais prejudicam os jovens empresários brasileiros. "Muitas vezes, eles não conseguem fazer nem aquela conta básica de padaria", diz.

Uma pesquisa do Sebrae sobre as causas do encerramento de empresas em seus primeiros anos de vida revela que 39% ignoram o capital de giro necessário para abrir a empresa e 46% iniciam o negócio sem conhecer os hábitos de consumo dos clientes. / N.F.

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