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Falta de ação política dos líderes europeus agrava a crise, diz Lula

Segundo o ex-presidente, toda a União Europeia pode ser afetada pela crise por causa da falta de credibilidade na região

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2011 | 03h04

A falta de ação política por parte dos países líderes da União Europeia e do G-20 está agravando a crise econômica. A análise foi feita ontem pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, horas após ele se encontrar com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em Paris. Segundo o ex-chefe de Estado brasileiro, a crise das dívidas soberanas exige decisões políticas fortes que não estão sendo tomadas.

A agenda de Lula teve início às 11h de ontem, quando ele foi recebido - com honras de chefe de Estado - no Palácio do Eliseu. Depois do encontro, com duração de 40 minutos, o ex-presidente deixou a sede do governo sem falar com os jornalistas. As críticas foram feitas no início da noite no hotel Lutetia, no centro da capital francesa. Segundo Lula, os analistas preveem um agravamento da crise, sendo necessária uma iniciativa política.

Para o ex-presidente, toda União Europeia está a perigo em razão da crise de credibilidade na zona do euro. Sem citar nomes, Lula insinuou que falta solidariedade entre alguns líderes políticos do bloco em relação aos países em crise - uma crítica semelhante é feita na Europa contra a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. "A construção da União Europeia é um patrimônio da humanidade. Isso teve um custo, muito investimento, e não se pode permitir que se destrua um patrimônio construído ao longo de 50 anos", disse.

Lula defendeu que países centrais da Europa intervenham para evitar o contágio da turbulência. "Em março de 2010, a crise custava € 49 bilhões. Agora, ela custa € 200 e poucos bilhões só na Grécia. Quanto mais o tempo passar, mais vai custar", disse. "É importante que os políticos se entendam e estanquem a crise, até porque este continente conseguiu um estado de bem-estar social tão importante que ninguém pode permitir um retrocesso." O ex-presidente comparou o G-20 de Cannes, que será realizado em novembro, com a reunião de cúpula do grupo em Londres em abril de 2009, auge da crise decorrente da quebra do banco Lehman Brothers. "Na decisão de 2009, o sinal foi mais importante do que a decisão", analisou. "O G-20 não fez o que tinha de ser feito, que era discutir a regulação do sistema financeiro, a questão do bônus."

Apesar da pauta econômica, Lula não está na Europa para falar do assunto. O principal evento de sua agenda acontece hoje, quando ele receberá o título de doutor honoris causa do Instituto de Estudos Políticos (Sciences-Po), de Paris.

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