Falta de acordo sobre ativos tóxicos derruba ação do Lloyds

Sinais de atraso nas negociações, somados com o resultado fraco do ano passado, derrubavam em 21% as ações

Marcílio Souza, da Agência Estado

27 de fevereiro de 2009 | 14h36

O britânico Lloyds Banking Group disse nesta sexta-feira, 27, após divulgar seu balanço anual, que ainda não chegou a um esperado acordo com o governo do Reino Unido, que pode resultar na garantia, pelo governo, de até 250 bilhões de libras em ativos tóxicos do banco. Esses sinais de atraso nas negociações, somados com o resultado fraco do ano passado, derrubavam em 21% as ações do Lloyds negociadas na bolsa de Londres por volta das 12h30 (de Brasília).   A garantia do governo para ativos tóxicos do Lloyds faria parte de um plano mais amplo que visa a restaurar a confiança no sistema bancário do país. Segundo uma fonte próxima do assunto, o Lloyds está tentando obter um acordo semelhante ao do Royal Bank of Scotland (RBS), que ontem conseguiu a garantia de 300 bilhões de libras de seus ativos. A fonte disse, no entanto, que o governo estaria impondo ao Lloyds condições mais rígidas do que as criadas para o RBS. As autoridades teriam sido mais lenientes com o RBS porque quiseram evitar uma estatização completa, segundo a fonte. O Lloyds, no qual o governo britânico possui uma participação de 43%, estaria muito mais longe de ser totalmente estatizado do que o RBS. As negociações deverão continuar na próxima segunda-feira, de acordo com outra fonte.   O presidente do Lloyds, Victor Blank, disse que está "otimista" com as negociações. Ele afirmou que a equipe do Tesouro britânico negociou por três noites consecutivas o acordo com o RBS e que precisava dormir. O estabelecimento de acordos com os bancos é um processo que demanda tempo, já que cada instituição financeira tem problemas e investimentos específicos.   O Lloyds, que comprou o HBOS em janeiro, enfrenta agora a pesada carteira de empréstimos corporativos problemáticos desse credor. O HBOS saiu de lucro líquido de 3,97 bilhões de libras em 2007 para prejuízo líquido de 7,58 bilhões de libras em 2008; os resultados mostraram também que a fatia de empréstimos problemáticos na carteira de crédito corporativo de 116 bilhões de libras do HBOS atingiu 12% em 2008, de 3% em 2007. Em audiência parlamentar recente, o executivo-chefe do HBOS, Andy Hornby, foi criticado por conceder empréstimos excessivamente arriscados no setor imobiliário comercial do Reino Unido.   O executivo-chefe do Lloyds, Eric Daniels, defendeu hoje a compra do HBOS, afirmando que "a combinação dos dois bancos permite a criação de uma plataforma forte para que trilhemos nossa estratégia de crescimento focada no cliente". Mas o diretor financeiro do grupo, Tim Tookey, alertou que o banco espera que as baixas contábeis "aumentem significativamente em 2009" , em larga medida resultantes do aumento do desemprego no Reino Unido e do impacto maior da queda dos preços dos imóveis. As informações são da Dow Jones.

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