Falta de acordos comerciais limita competição

Falta de acordos comerciais limita competição

Ex-ministro Furlan sugere que o Brasil 'declare independência' do Mercosul, para firmar acordos bilaterais com mais países

ÁLVARO CAMPOS, DAYANNE SANTOS, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2014 | 02h08

Um crescimento mais acelerado da atividade industrial no Brasil passa pela ampliação de acordos comerciais e redução de instrumentos de proteção, avaliam economistas e empresários. Durante o Fóruns Estadão Brasil Competitivo, especialistas consideraram que hoje a competitividade da indústria brasileira está comprometida.

De um lado, políticas que protegem a produção local têm o efeito colateral de desestimular investimentos em inovação. Do outro, a ausência de acordos bilaterais limitam exportações.

Hoje, as principais relações comerciais do Brasil se dão no âmbito do Mercosul. O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan acredita, porém, que o País se beneficiaria se firmasse acordos com outros países e blocos. "O Mercosul está estagnado, talvez esteja na hora de o Brasil declarar independência do grupo", diz Furlan, atual membro do Conselho de Administração da empresa de alimentos BRF.

Ao mesmo tempo em que o Brasil patina para firmar acordos bilaterais, países vizinhos "nadam de braçada", opina Furlan. Ele citou o caso do Peru, que tem atraído investimentos estrangeiros e participa de uma aliança com países do Pacífico.

Paradoxo. Além dos acordos comerciais, atuais políticas que limitam as importações são vistas também como negativas para a indústria. No que a princípio poderia ser visto como um paradoxo, empresários avaliaram que tarifas de importação têm prejudicado a produtividade nacional e até mesmo as exportações.

O presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi) e sócio-fundador da Natura, Pedro Passos, defendeu a revisão de tarifas de importação para baixo no longo prazo. Para ele, exportar mais pressupõe poder importar mais. "Só vamos conseguir ser produtivos se entendermos a nova dinâmica da manufatura", comentou. "Um produto simples hoje em dia tem componentes de, no mínimo, cinco, dez países", acrescentou.

Segundo ele, o Brasil tem grandes oportunidades, já que das 500 maiores multinacionais do mundo, que respondem por dois terços do comércio global, 400 já atuam no País, mas elas não têm incentivos para acessar outros mercados.

Passos também defende a revisão de programas setoriais, como desonerações e políticas de conteúdo nacional. "As políticas industriais deveriam rumar para versões mais horizontais e menos setoriais", comentou. Para ele, as políticas governamentais deveriam apostar em "setores vencedores, não nos perdedores", aproveitando as vantagens comparativas do País. "É lógico que não podemos negar socorro a indústria, mas temos de apostar nos setores com capacidade de competição". Ele citou como uma das políticas erradas a desoneração de bens de consumo finais, quando essas ações deveriam focar na base da cadeia produtiva.

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