Falta de água é inédita para maioria das empresas de SP

Falta de água é inédita para maioria das empresas de SP

Indústrias como a Cummins, em Guarulhos, e a Rhodia, em Paulínia, têm recorrido à compra de água de carros-pipa

Alexa Salomão e Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 05h00

Sem água suficiente para manter a produção, a Cummins, fabricante de motores e geradores em Guarulhos, na Grande São Paulo, apelou para a compra de água que chega duas vezes por dia em caminhão-pipa. O complexo da Rhodia em Paulínia, na região de Campinas, tem feito um rodízio, suspendendo a produção em fábricas alternadas para evitar a escassez.

Os custos extras com essas ações não são revelados. A falta de água que se arrasta há vários meses é um fenômeno inédito para a maioria das empresas. “Em mais de 70 anos, nunca havíamos enfrentado um problema desses”, diz um porta-voz da Rhodia. A crise hídrica afeta principalmente o sistema Cantareira, que abastece mais de 70 municípios de São Paulo e cuja água segue para rios do interior, como Atibaia e Piracicaba.

Logo no início da estiagem, em fevereiro, a Rhodia parou sua produção de matéria-prima para a indústria química em Paulínia por duas semanas. Desde então, adota medidas para evitar situações mais graves. O grupo tem paralisado unidades de produção de acordo com a disponibilidade de água captada no rio Atibaia.

No momento, um grupo de 100 funcionários – de um total de 850 do conjunto industrial que reúne 22 unidades produtivas – não está na linha de produção. Eles foram deslocados para atividades de manutenção e treinamento.

Para evitar falta de produto para os clientes, a Rhodia está importando matéria-prima de outras unidades do grupo no mundo em substituição ao que deixa de produzir. Também tem feito estoques ao longo do ano com o aumento da produção em determinados períodos.

Caminhão pipa. Na Cummins, há três meses um caminhão pipa descarrega diariamente 20 m³ de água pela manhã e 20 m³ à tarde para complementar o fornecimento da rede pública.

“Também desenvolvemos ações internas, como a substituição de válvulas de torneiras, inspeções semanais para verificar se há vazamentos e processos para reutilização da água”, diz Cintia Silva, supervisora de Segurança e Meio da Cummins.

Segundo Cintia, por enquanto a entrega de dois caminhões-pipa por dia é suficiente para manter o funcionamento da fábrica, mas, por precaução, a empresa já tem um contrato para o fornecimento de até dez caminhões por dia, se necessário.

Característico do Nordeste, que sempre sofreu com a seca, o caminhão-pipa começa a ganhar espaço em São Paulo, abastecendo condomínios, restaurantes e empresas. Em Campinas, a demanda por carros-pipa explodiu. “É uma loucura, não conseguimos atender nem metade dos pedidos”, diz Francenir de Souza, 63 anos, funcionário da Água Jato Transportes.

A montadora Hyundai reduziu o consumo em sua unidade em Piracicaba e adota um sistema de reúso. O grupo deixou de captar água do Rio Piracicaba em razão da crise e passou a comprá-la de outras fontes.

A Mercedes-Benz tem registrado problemas de abastecimento na unidade em Campinas, onde mantém sua área de pós-venda. Segundo a empresa, a lavagem de veículos está suspensa e a frequência da lavagem de pisos, antes diária, agora é de uma vez por semana.

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