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Falta de alimentos levará a importações de US$ 1 tri, diz FAO

Na avaliação da entidade, Brasil deve ganhar mercados e se beneficiar da alta, como com carnes e milho

Jamil Chade, especial para O Estado,

22 de maio de 2008 | 12h51

Mesmo com uma supersafra, a alta nos preços dos alimentos fará com que o mundo tenha de importar mais de US$ 1 trilhão em alimentos em 2008. O alerta é da FAO que, em um relatório publicado nesta quinta-feira, 22, revela que os preços dos alimentos não vão sofrer uma queda substancial e que um novo patamar foi estabelecido para os próximos anos. Na avaliação da entidade, o Brasil deve ganhar mercados em vários setores e se beneficiar da alta, como na venda de carnes e até no milho. Mas nem toda a inflação deve ter uma repercussão positiva para o Brasil, principalmente no que se refere ao trigo e arroz.   Veja também:  Alimentos não voltarão a ser baratos, diz FAO   O novo patamar nos preços será mantida mesmo diante de uma projeção de produção recorde de alguns produtos, como os cereais. Algumas commodities tiveram seus preços reduzidos nas últimas semanas. Mas não voltarão aos níveis anteriores.   De fato, desde fevereiro os preços médios tem se estabilizado em alguns setores. Mas o problema é que haviam sofrido uma alta de 53% nos quatro meses anteriores e as projeções são de que a pressão inflacionária poderia existir pelos próximos dez anos.   Segundo a FAO, a supersafra de 2008 será registrada em vários setores. Os americanos terão sua maior safra do trigo desde 1998, com um crescimento de 16%. A União Européia, que liberalizou sua produção, terá uma safra 13% maior.   A produção de arroz deve crescer em 2,3%. Ao contrário de 2007, haverá mais produção do que consumo de arroz, considerado como base da alimentação de cerca de metade da humanidade. Mas, diante das barreiras às exportações em vários países, a previsão é de que não haverá arroz suficiente no mercado internacional para derrubar a cotação, que teve alta de 71% no primeiro quadrimestre.   Para a FAO, portanto, o impacto da alta será significativo. Os países mais pobres terão de pagar US$ 169 bilhões neste ano para se alimentar, 40% a mais que em 2007 e quatro vezes mais que o que importaram em 2000.   Para a entidade, a solução seria uma maior ajuda da comunidade internacional à essas economias. O pior, segundo a agência da ONU, é que essa alta não significa que vão comprar mais alimentos. Alguns estão até mesmo cortando as importações.   No total, o mundo gastará US$ 215 bilhões a mais neste ano que a conta da alimentação em 2007, uma alta de 26%. Grande parte dessa conta irá para pagar pelo arroz, trigo e óleos vegetais. Os três setores atingiram níveis recordes de preço. Só o arroz aumentou em 77% desde o final do ano passado, mesmo com a projeção de uma produção recorde. O trigo teve uma alta de 60% nos seus preços.   Os motivos são variados, incluindo a explosão nos preços dos fertilizantes, custo do frete que duplicou em alguns casos e a especulação. Esses fatores explicariam ainda a alta de 30% nos preços do açúcar e principalmente no comércio de milho, com até mesmo uma queda nas importações.   Para a FAO, o cenário deve levar a um aumento da fome no mundo. "Alimentos não são mais baratos como foram", afirmou o diretor-assistente da FAO, Hafez Ghanem. Hoje, são 854 milhões de famintos no mundo, mas esse número deve aumentar. Para a ONU, a crise é a pior em mais de meio século.   Até mesmo o Vaticano decidiu intervir na crise. Em declarações ao Estado, o embaixador da Santa Sé perante a ONU, arcebispo Silvano Tomasi, alerta que os subsídios nos países ricos precisariam ser revistos. "Subsídios injustos precisam ser eliminados", disse. "Precisamos mudar a mentalidade do mundo e não pensar na agricultura apenas como lucros", disse.   Para reverter o problema, a FAO já indica que uma safra apenas não será suficiente e pede que investimentos sejam feitos na agricultura, principalmente nos países emergentes. O aumento na demanda e a necessidade de repor estoques devem fazer com que os preços continuem altos. Hoje, a crise ocorre mesmo diante de uma produção recorde de cereais, em 2,1 bilhões de toneladas. Mas a volatilidade, inclusive no trigo, deve continuar.   Em termos de produção de óleo de soja, a FAO estima que o fornecimento deve ser suficiente em 2008 e 2009. Mas não prevê uma queda nos preços. Já no setor do açúcar, a FAO estima que a produção de 2007 e 2008 atingiu níveis recordes e que nem a alta no consumo será suficiente para absorver o superávit no setor. Os preços no setor podem até cair, mas não aos níveis de 2007.   A produção de carne também deve aumentar, mesmo com a alta nos preços dos insumos. O Brasil será um dos grandes beneficiários, já que o mundo observa uma alta na demanda, novos mercados e preços inflacionados.   O principal motivo na alta dos preços das carnes será o crescimento nas economias dos países emergentes, que estariam consumindo mais carnes.   Já o milho atingiu preços recordes em fevereiro e, em abril, já estava 20% a mais que no início do ano. Nos Estados Unidos, maior produtor mundial, a alta já é de 40 % em relação ao final de 2007.   Segundo a FAO, um dos motivos é o uso do milho para o etanol. Neste ano, a previsão é de que os americanos destinarão 101 milhões de toneladas à produção do combustível, 25 milhões a mais que em 2007 e o dobro que em 2006.   Além do etanol, a FAO alerta que colheita de inverno não tão boa como se esperava nos Estados Unidos.   Na América Latina, a previsão é de que importação caia em 2 milhões de toneladas. Parte dessa queda ocorreria graças a uma queda nas compras do México.   Já o Brasil pode cortar pela metade suas importações diante de expectativa de produção recorde. O Brasil, segundo a FAO, ainda pode ser um dos países que sofrerá a maior expansão em suas exportações.   A FAO organiza para o início de junho uma cúpula em Roma para lidar com a crise.

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