eliasfalla/Pixabay
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Falta de chuva prejudica produção de café robusta no Espírito Santo

Situação dos produtores se agravou depois que o governo estadual proibiu a irrigação das lavouras entre 5h e 18h

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2017 | 05h00

Depois da estiagem que derrubou a produção de café robusta (conilon) nos últimos anos no Espírito Santo, principal produtor nacional desse tipo de grão, representantes do setor no Estado temem pela florada que será colhida em 2018 – que está em bom estado de desenvolvimento – porque a chuva ainda não veio com a intensidade necessária para recuperar o solo e os reservatórios de água.

No ano passado, a queda brusca na oferta de conilon no Estado por causa da seca levou os preços internacionais do grão a registrarem forte alta.

O presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel, Antonio Joaquim de Souza Neto, destacou que a intensidade das chuvas melhorou se comparada com o ano passado, mas ainda está aquém do necessário. “O pé de café está desidratado para aguentar a florada como deveria. Você vê a florada bonita e parece que está tudo bem. Eu vejo com muito receio a safra do ano que vem. A colheita que a gente esperava, que o agricultor precisa, pode não chegar.”

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Por causa da estiagem, a produção de café conilon tem caído no Estado desde 2014, ano que atingiu o pico de 9,95 milhões de sacas de 60 kg. Em 2015, a colheita desceu para 7,76 milhões de sacas e, no ano passado, 5,04 milhões, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Barragens. Para proteger a agricultura local, o Espírito Santo modificou, em 2014, a regulamentação para construção de barragens. A nova legislação transferiu os procedimentos de licenciamento do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) para o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf). A medida, segundo Souza Neto, ajudou muito o produtor que queria construir barragens e se via amarrado na burocracia do Iema. Desde a liberação, entretanto, a intensidade de chuvas diminuiu. “Acredito que temos três vezes mais barragens hoje, mas não tem chuva para abastecê-las.”

O cenário ganhou um agravante após o Espírito Santo proibir, no dia 11 deste mês, a irrigação das lavouras entre às 5h e 18h, à medida que crescem as preocupações quanto aos baixos níveis dos reservatórios. Não foi divulgado um prazo para o fim da resolução. A notícia preocupou os produtores no noroeste capixaba, já que mais de 70% do café na região é irrigado, de acordo com números do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

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O gerente de Produção Vegetal da Secretaria de Agricultura do Espírito Santo (Seag), Marcus Magalhães, disse que a chuva até veio, mas ficou mais concentrada na região litorânea e o solo ainda não se recuperou totalmente. “Como temos produção de café em todos os 78 municípios do Estado, a chuva precisa ser uniforme para favorecer a safra. Por isso, muitas vezes a gente vê uma lavoura verde, mas é o que chamamos de seca verde, já que o solo ainda não dá margem para uma produção tão volumosa.”

Safra. Apesar da aparente incerteza sobre a produção capixaba, o gerente da Seag salientou que a colheita de conilon no Brasil na próxima safra vai ser melhor. “Quem vai sustentar isso é a região sul da Bahia e Rondônia, que aumentam a área plantada”, disse Magalhães.

Para o arábica, entretanto, o cenário é diferente, explica Magalhães. As regiões capixabas que cultivam a variedade estão passando por um grave período de seca. Cerca de 30% da produção de café no Estado é de arábica. “O cenário difícil também se repete em Minas. Algumas regiões estão sem chuva há 120 dias.

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