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Rafael Arbex/Estadão
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Falta de chuva reduz projeção para a safra de grãos deste ano

Estimativa foi reduzida pelo segundo mês seguido pelo IBGE, mas previsão ainda é de colheita recorde de 262,8 milhões de toneladas

Daniela Amorim , O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 12h57

RIO - A estiagem no País voltou a reduzir a perspectiva para a safra agrícola deste ano. A produção nacional de grãos deve totalizar um recorde de 262,8 milhões de toneladas em 2021, 8,6 milhões de toneladas a mais que o desempenho do ano anterior, um crescimento de 3,4%, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio, divulgado nesta quinta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

No entanto, em relação ao levantamento de abril, houve recuo de 0,6% na estimativa, o equivalente a 1,7 milhão de toneladas a menos.

"É o segundo mês que a gente tem queda de estimativas e isso é influenciado por questões climáticas, que têm afetado muito a safra de milho. Mesmo assim é uma safra recorde", apontou Carlos Alfredo Guedes, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE.

Em 2021, a produção da soja deve crescer 9,4% ante 2020, totalizando um recorde de 132,9 milhões de toneladas. A safra de arroz será 2,8% maior, somando 11,4 milhões de toneladas. O cultivo de algodão herbáceo deve cair 19,7%, para um total de 5,7 milhões de toneladas.

Quanto ao milho, a expectativa é de um recuo de 3,9% na produção, devido a uma redução de 2,8% no milho de primeira safra, além de queda de 4,3% no milho de segunda safra. A produção total de milho será de 99,2 milhões de toneladas em 2021.

A safra de milho foi reduzida em 3,3 milhões de toneladas em relação à previsão do mês de abril. Por outro lado, parte da perda foi compensada pela melhora em maio nas estimativas para a soja (mais 982,5 mil toneladas em relação à estimativa de abril), trigo (mais 527 mil toneladas) e arroz (mais 270 mil toneladas).

O gerente do IBGE aponta que ajustes na colheita no Rio Grande do Sul e na região chamada de Matopiba - formada por áreas majoritariamente de cerrado nos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia - impulsionaram uma alta de 0,7% na previsão de maio para a safra de soja deste ano, ante a estimativa de abril.

"Como foi plantada de forma atrasada, a colheita (da soja) está se estendendo um pouco mais. Está praticamente toda colhida, mas em algumas regiões ainda tem alguns acertos", contou Guedes. "A gente continua sendo o maior produtor e maior exportador de soja. A safra americana ainda está sendo plantada agora, eles vão colher a safra mais à frente, isso pode mudar um pouco", ponderou.

Quanto ao trigo, o IBGE espera crescimento de 26,8% na colheita deste ano, após a quebra de safra registrada em 2019 e a alta de preços, que incentivou o plantio. Em relação à estimativa de abril, a produção de trigo aumentou 7,2%. "São estimativas iniciais ainda, o trigo vai ser colhido lá em outubro", lembrou Guedes.

Já a persistência da estiagem no País pode levar a novas reduções em estimativas da produção de milho, especialmente da segunda safra do grão.

"É possível que a gente tenha sim algumas reavaliações nos próximos meses. Causa um pouco de preocupação, porque o milho é um produto que compõe a ração", ressaltou Guedes. "A gente já vem observando o aumento do milho há alguns meses. O custo de produção para esses setores de carnes tem ficado mais alto, e isso pode continuar ocorrendo".

A despeito da expectativa de nova safra recorde de grãos em 2021, Carlos Alfredo Guedes não espera que os preços dos produtos agrícolas recuem.

"Soja, milho, trigo, há uma tendência de manter esses preços mais altos. O único produto que a gente viu caindo o preço um pouco este ano foi o feijão. O arroz, com essa alta da safra este ano, tem tendência de preços menos altos que no ano passado, preços mais normalizados. Mas os outros produtos, por questão de demanda de outros países e questões cambiais, devem permanecer com preços um pouco altos", avaliou Guedes, acrescentando que, apesar da queda prevista na safra de milho, o grão "já está com preço bem elevado".

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