Falta de chuvas preocupa e Aneel já admite racionamento

Reservatórios das hidrelétricas nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste operam com 44,73% da capacidade

Leonardo Goy, da Agência Estado,

09 de janeiro de 2008 | 10h03

A falta de chuvas no País preocupa o governo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já admite a possibilidade de racionamento de energia ainda neste ano. O nível dos reservatórios das hidrelétricas vem registrando redução neste verão, levando alguns a questionar a segurança no abastecimento. Nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, por exemplo, os lagos das usinas operavam na segunda-feira com 44,73% da capacidade, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em 7 de janeiro de 2007, estavam com 60,2% da capacidade. A situação é ainda mais grave porque as usinas do Sudeste e Centro-Oeste estão tendo de enviar energia ao Nordeste desde o fim do ano passado. Na segunda-feira, os reservatórios do Nordeste operavam com apenas 27,04% do volume - no mesmo período de 2007, estavam com 65,4% da capacidade. A situação crítica dos reservatórios levou o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, a admitir que "não é impossível" que o Brasil passe por um novo racionamento de energia ainda em 2008. "Não estou dizendo que vai ter problema. Não é impossível haver um racionamento este ano, mas o mais provável é que não tenha", disse ele. Kelman defendeu até um contingenciamento para evitar situação parecida com a de 2001, quando a sociedade foi pega de surpresa e o governo teve de elaborar um plano de racionamento às pressas. No início, as medidas eram tratadas como racionalização. "Você só discute temas como apólice de vida e sepultura quando você está bem de saúde. Assim deve ser com coisas desagradáveis, como o racionamento. Esse assunto deve ser discutido muito antes. Não sob pressão."  Além de elaborar um plano de contingenciamento para um eventual apagão, o governo também deveria fazer campanhas para estimular a população a economizar recursos energéticos, disse Kelman. Para poupar água dos reservatórios, o ONS determinou que todas as usinas termoelétricas convencionais disponíveis, movidas a gás, carvão ou óleo, entrassem em operação. Na segunda-feira, elas estavam produzindo 4.622 megawatts (MW) médios, ou 8,8% do total da produção nacional. Outros vilões Para outro especialista, além da chuva, vários outros "vilões" fizeram com que o nível dos reservatórios baixasse. Em primeiro lugar, o atraso - causado, principalmente, por entraves ambientais - nas obras de novas hidrelétricas. Com o atraso nas obras e o aumento do consumo, as hidrelétricas existentes tiveram de ser utilizadas com mais intensidade, o que reduziu mais rapidamente o nível da água. Outro ponto importante é a escassez de gás natural. A falta do combustível levou a Aneel a retirar do planejamento do setor elétrico 3,6 mil MW que deveriam ser produzidos por térmicas, mas não estavam sendo gerados. Segundo esse especialista, há algumas semelhanças entre a situação atual e a de 2001, quando foi decretado o racionamento.  O ex-ministro de Minas e Energia e atual presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB), José Jorge, concorda. Jorge, que assumiu o ministério em março daquele ano, pouco antes da crise energética, disse que é necessário que o governo Lula reconheça que pode haver problema de abastecimento. "A primeira coisa é rezar para chover, e a segunda é reconhecer a dificuldade", disse Jorge. "Não adianta tapar o sol com a peneira, porque só faz piorar." (colaborou Gerusa Marques)

Mais conteúdo sobre:
EnergiaRacionamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.