Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Falta de coalizão do governo dificulta aprovação da Previdência, avalia Fitch

Segundo agência de classificação de risco, turbulência política indica que a reforma pode demorar mais tempo para ser aprovada e ser mais desidratada do que o inicialmente esperado

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2019 | 15h46

A agência de classificação de risco Fitch Ratings prevê que a tramitação da reforma da Previdência no Congresso deve ser "desafiadora" e "permanece incerto" o quanto as medidas serão alteradas enquanto são avaliadas pelos parlamentares. A natureza impopular das medidas que alteram as aposentadorias e a falta de uma coalizão do governo na Câmara e no Senado estão entre os fatores apontados pela agência que devem dificultar a aprovação.

"O fracasso em aprovar a reforma pode afetar o investimento e a perspectiva de recuperação da economia e ainda elevar a incerteza sobre a dinâmica de médio prazo da dívida pública", destaca documento divulgado nesta quarta-feira, 17. O relatório destaca que aumentaram as pressões negativas para os ratings de alguns países da região.

No Brasil, a economia deve crescer apenas 2,1% este ano, ressalta o documento. Além da economia fraca, a Fitch observa que os riscos políticos e as dúvidas sobre a direção da política econômica na região permanecem como "incertezas chaves" em diversos países da América Latina, notadamente no Brasil e no México.

O diretor-executivo da Fitch Ratings, Rafael Guedes, ressaltou logo no início de sua apresentação que a economia mundial está passando por uma desaceleração. "Vemos preocupação grande das autoridades chinesas com a guerra comercial", disse ele ao falar do cenário externo.

Para os Estados Unidos, a perspectiva é que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mantenha as taxas de juros neste semestre, mas possa voltar a elevar as taxas na segunda metade de 2019.

Desidratação

Na abertura de evento da instituição realizado nesta quarta-feira na capital paulista para avaliar as perspectivas para o Brasil e companhias brasileiras, o diretor da Fitch afirmou que os recentes eventos em Brasília e o aumento do ruído político indicam que a reforma da Previdência pode demorar mais tempo para ser aprovada e ser mais desidratada que o inicialmente esperado.

Guedes disse que a oposição sozinha não tem condições de barrar as reformas do presidente Jair Bolsonaro, incluindo a da Previdência. Ao mesmo tempo, os partidos aliados ao governo também não têm condições de aprovar as medidas sozinhos.

"Bolsonaro está perdendo seu capital político, em apenas três meses", disse ele, destacando que o no governo mudou o jeito de fazer política, mas mostra inexperiência ao lidar com o Congresso.

"A reforma da Previdência é necessária, mas certamente não suficiente para a estabilização da dívida brasileira", disse Guedes. O diretor da Fitch ressaltou que a forte deterioração das contas do governo e o fraco crescimento econômico levaram a cortes rápidos do rating soberano brasileiro desde 2015, quando o País perdeu a classificação grau de investimento.

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