Falta de combustível deve se estender até a semana que vem

Segundo o governo, dos 12.311 postos de combustível do país, 3190 estão fechados, por falta de abastecimento

, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

PARIS

O desbloqueio das refinarias de reservatórios de combustíveis ordenado ontem pelo Palácio do Eliseu não surtirá efeito antes do início da próxima semana. A avaliação pessimista foi realizada pela Federação Francesa de Combustíveis (FF3C).

De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Jean-Louis Borloo, dos 12.311 postos de combustíveis existentes em todo do país, 3.190 estão totalmente a secos.

Segundo Borloo, a volta à normalidade do abastecimento na França ainda deve levar entre 48 horas e 72 horas.

No final da madrugada de ontem, a polícia começou a desbloquear as 27 refinarias e os reservatórios de combustíveis. Não houve resistência por parte dos trabalhadores grevistas, mas a promessa dos sindicalistas é de que novos protestos estão programados para ocorrer. "O governo declarou a guerra à Constituição e aos trabalhadores", afirmou à rede de TV BFM Charles Foulard, delegado da Confederação Geral do Trabalho (CGT).

Com a liberação dos reservatórios, os primeiros caminhões-tanque começaram a reabastecer as regiões mais prejudicadas pela pane seca, casos de Paris, Normandia e Champagne.

A previsão da FF3C contradiz a do governo. Para Frédéric Plan, delegado-geral da instituição, os franceses ainda precisarão de paciência para enfrentar as filas de espera por combustível. ''São necessários vários dias para que as medidas tomadas hoje surtam efeito nas ruas. Uma situação perfeitamente normal não virá antes da próxima semana'', previu.

Na avaliação de Plan, o bloqueio das refinarias prejudicou toda a estrutura da produção de combustível no país. "Houve um desmantelamento da cadeia de distribuição. E restabelecê-la exige o uso dos estoques de reserva e desbloqueio dos depósitos."

Novos movimentos. O grupo intersindical, que comporta as quatro maiores centrais sindicais da França, se reúne hoje para discutir a continuidade ou não das jornadas de mobilização após a votação do projeto no Senado. Existem divergências entre a CFDT e a CGT, os dois maiores sindicatos franceses.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.