Falta de demanda preocupa a indústria, diz CNI

Nível dos estoques do setor está em alta mesmo com a queda na produção em junho

Nivaldo Souza, Agência Estado

18 de julho de 2014 | 16h56

A preocupação com a falta de demanda está mais forte no setor industrial. Segundo o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Marcelo Azevedo, responsável pela Sondagem Industrial, "a falta de demanda se tornou o segundo principal problema da indústria, só perdendo para a carga tributária", disse. 

De acordo com ele, isto está elevando o nível de estoques das empresas - em especial as grandes companhias -, mesmo com a queda na produção em junho. 

A utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria recuou três pontos porcentuais em junho na comparação com o mês anterior, registrando 68%, ante 71% em maio, conforme a Sondagem Industrial divulgada pela CNI. Foi o pior porcentual do índice para o mês na série histórica, ficando abaixo do nível verificado tradicionalmente nos meses de baixa atividade (dezembro e janeiro).

O indicador de evolução da produção ficou em 39,6 pontos no mês passado, apresentando queda em relação aos 48,7 pontos de maio, registrando o pior desempenho para a série iniciada em 2010. A CNI classificou o resultado como um "aprofundamento" do "quadro negativo" da atividade industrial.

A CNI não conseguiu medir o "efeito Copa" sobre o recuo da produção apontada pela Sondagem, mas a entidade avalia que o número de empregados da indústria "deve continuar caindo" nos próximos meses. De acordo com o gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, o ano está sendo pior que o esperado quando ele começou. "A indústria esperou um 2014 melhor do que ele está sendo", afirmou. 

Segundo Fonseca, a expectativa do setor produtivo sobre uma eventual melhora no nível de demanda é uma das mais baixas dos últimos anos. Ele avaliou que o fato de a indústria ter começado a demitir, o que custa caro e significa perder mão de obra qualificada, é um sinal de que a confiança na retomada da economia no segundo semestre é pequena. 

"A confiança pode mudar ainda este ano. Agora, dificilmente a produtividade vai responder rápido, principalmente porque agora você começou a perder emprego", considerou. "É difícil a economia retomar um crescimento forte neste ano, porque as condições internacionais não são muito boas." 

A CNI aponta a alta inadimplência e a falta de capital de giro como "problemas que estão ganhando maior importância para as empresas". 

O efeito disto tem sido, segundo a CNI, a deterioração das margens de lucro da indústria e da situação financeira das companhias, o que pode afetar os investimentos. "A situação da indústria agravou-se nesse primeiro semestre", diz o documento, que fala que o efeito sobre a economia como um todo pode ser sentido com o aumento nas demissões e no cancelamento de investimentos. 

O índice de satisfação com a margem de lucro operacional caiu para 39,3 pontos, o menor desde o segundo trimestre de 2009. 

A pesquisa ouviu 2.115 empresas de 1º a 11 de julho, sendo 849 pequenas, 770 médias e 496 grandes. 

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