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Falta de energia: conseqüências imprevisíveis

Os detalhes para o programa de racionamento de energia ainda não estão definidos, mas os efeitos que esse problema pode causar na economia do País já são avaliados pelos analistas. De acordo com o ex-diretor de política monetária do Banco Central (BC) e sócio-diretor da MCM Consultores, José Júlio Senna, ainda é muito cedo para chegar a resultados numéricos nessa avaliação, pois as conseqüências de cada problema gerado pela falta de energia são imprevisíveis. "O que se pode saber com maior certeza é o impacto direto na indústria. Mas a forma como a falta de energia atingirá os setores de serviço é muito incerta", avalia. O ex-diretor do BC cita exemplos: quantas peças de roupas deixarão de ser vendidas por conta de mudanças no horário de funcionamento das lojas? Quantas consultas deixarão de ser atendidas por médicos devido à falta de energia? Quantas refeições deixarão de ser servidas? "Todas essas questões, e tantas outras, geram outras conseqüências. É um efeito dominó totalmente imprevisível", explica.Nos cálculos para avaliar o impacto da falta de energia na situação econômica do País, Senna define essas variáveis como custo de transação. "Sabe-se que esse valor será maior, mas não é possível mensurar de quanto isso será em cada setor da economia, apenas que reduzirá o crescimento econômico", afirma. InflaçãoEm relação ao impacto do problema de racionamento compulsório de energia nos índices de inflação, Senna também evita fazer cálculos. "Sabemos que menos energia prejudica a produção. As empresas reduzem a oferta de produtos e a falta de mercadorias poderia gerar inflação", diz o executivo. Mas, por outro lado, segundo Senna, as empresas tendem a reduzir os postos de trabalho, o que acaba diminuindo também o consumo. Caindo a produção, mas também a procura, a pressão sobre os índices de inflação pode ficar neutralizada.

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