Falta de equipamento deve atrasar cronograma

Setor aquecido pelo preço do petróleo faz aluguel ficar 4 vezes mais caro

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2008 | 00h00

O aquecimento mundial do setor de petróleo e a dificuldade para conseguir equipamentos para a perfuração e desenvolvimento de áreas exploratórias são vistos pelo setor como os principais empecilhos para acelerar o cronograma de entrada em produção das áreas na camada pré-sal. Em apenas quatro anos, o aluguel diário de uma sonda de perfuração quadruplicou, passando de US$ 100 mil para US$ 400 mil.A primeira produção no pré-sal deve se dar a partir de um Teste de Longa Duração (TLD) para o qual a Petrobrás afretou no início de abril um navio-plataforma que vai produzir 30 mil barris de petróleo por dia. Já para confirmar as estimativas de reservas nas demais áreas, faltam sondas de perfuração no mercado internacional.Segundo um cálculo do banco Credit Suisse, o desenvolvimento das áreas na camada pré-sal na Bacia de Santos deve demandar a perfuração de uma média de 750 poços. Para esse cálculo, o banco tomou como base campos de águas ultraprofundas no Mar Cáspio e no Golfo do México. Por esse cálculo, só em Tupi seriam 266 poços, no mínimo."Mesmo com o crescimento da oferta de novos equipamentos para exploração em águas ultraprofundas, ainda é insuficiente cobrir a demanda futura da exploração e desenvolvimento da área pré-sal em Santos", diz o relatório do Credit Suisse. PERFURAÇÃO SUSPENSAO documento afirma que 93% das 74 sondas que estão sendo construídas até 2011 para atuar em águas profundas já estão contratadas, e hoje existem poucas no mundo que poderiam suprir essa demanda. Analistas apontam que, na mais modesta das expectativas, a Petrobrás vai necessitar nos próximos oito anos de pelo menos 15 sondas para perfurar de 100 a 200 poços somente na área de Tupi, ainda sem considerar os demais prospectos abaixo da camada pré-sal na região - Júpiter, Carioca e Parati -, que podem elevar as estimativas de reservas anunciadas de 5 bilhões a 8 bilhões (Tupi) para até 52 bilhões de barris.Em Tupi, desde o anúncio da descoberta, em novembro do ano passado, não houve nenhuma atividade por falta de equipamento. Já a perfuração em Júpiter teve de ser suspensa antes da conclusão dos testes para indicar o volume das reservas porque a sonda precisava passar por manutenção exigida pela seguradora. Na área de Carioca, a Petrobrás emprestou uma sonda de sua sócia Repsol, que estava destinada a operar em outro país. Além destas, encomendou outras quatro, que vão chegar em 2009, e fez licitação para construir mais quatro, com previsão de entrega entre 2010 e 2011.

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