André Majola/Vinícola Aurora
André Majola/Vinícola Aurora

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Falta de garrafas interrompe produção de suco na maior vinícola do País

A Aurora, do Rio Grande do Sul, vai deixar de produzir mais de 300 mil litros de sucos de uva entre esta sexta-feira e sábado por falta de embalagens; escassez de insumos, como plástico e papelão, afeta indústrias de vários setores

Márcia De Chiara e Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2020 | 16h15
Atualizado 14 de novembro de 2020 | 01h35

Nesta sexta-feira, 13, e no sábado, 14, a maior vinícola do País, a Aurora, que fica em Bento Gonçalves, na serra Gaúcha, vai parar a produção de suco de uva. Mais de 300 mil litros deixarão de ser fabricados por falta de garrafas de vidro. Nesses dois dias, os funcionários vão se ocupar com trabalhos de manutenção da linha de produção.

Além da linha de suco, a vinícola parou de produzir espumante e keep cooler (bebida gaseificada feita a partir  do vinho branco e suco de frutas) também por falta de garrafas de vidro. “Estamos com pedido em carteira, mas não temos condições de atender por falta de garrafa de vidro”, conta o diretor superintendente da Aurora, Hermínio Ficagna. 

A falta de insumos na indústria para seguir o curso normal da linha produção não é um problema só da Aurora. Ele afeta também  indústrias de vários outros setores que viram a demanda crescer abruptamente neste ano e não conseguem insumos, como aço, plásticos, caixas de papelão, por exemplo, para fabricar os produtos. A crise de abastecimento de várias matérias provoca não só transtornos por causa da falta de produtos ao consumidor, mas também pode ter desdobramentos sobre preços, provocando mais inflação no varejo.

Demanda

Hermínio Ficagna conta que, até outubro, a Aurora cresceu 38% em relação ao ano passado. São 17 milhões de litros a mais de todas as bebidas que a empresa produz, entre sucos, espumante e vinhos. Nas suas contas, a empresa teria potencial para ampliar entre 45% a 50% a produção, se houvesse garrafa de vidro. O foco da companhia é o mercado doméstico.

As garrafas de vidro para vinhos e sucos são fabricadas praticamente por uma única indústria no País, que também sentiu o aumento da procura de outros fabricantes. Uma das saídas encontradas pela Aurora foi buscar fornecedores de garrafas de vidro na Argentina e no Chile. Mas também nesses países as fabricantes estão pressionadas por causa do aumento da demanda local.

O executivo acredita que a escassez de garrafas não será solucionada no curto prazo e que vai faltar produtos no Natal. “Espumante já está faltando”, diz o executivo. Hoje a empresa está com a  venda de espumantes, sucos gaseificados e keep cooler suspensa. Com a falta de garrafas, a  companhia vai precisar de mais tempo para atender os pedidos que tem em carteira.

Repasses

Para Haroldo Ferreira, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a indústria não consegue absorver todo o aumento de custos, e a nova coleção para o inverno poderá chegar entre 8% a 10% mais cara do que o previsto.

Fabricante de moda feminina e infantil em São Bernardo do Campo (SP), a Luktal Confecções fez um pedido de caixas de papelão em 10 de outubro para receber no fim deste mês a preços entre 18% a 20% mais altos em relação à compra anterior. “Quem está pedindo agora só vai receber no fim de janeiro ou fevereiro”, diz Marco Cicomello, dono da empresa que atende grandes redes varejistas.

Ele está também está com dificuldade em adquirir alguns tecido – que ficaram 35% mais caros – e elásticos, produto muito usados em máscaras. O preço do metro deste item passou de R$ 0,03 para R$ 0,22, com entrega para daqui 60 dias. No pico da pandemia o preço foi a R$ 1,20.

José Ricardo Roriz, da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), afirma que as 12 mil empresas do setor operam abaixo da capacidade porque não tem matéria-prima e, além disso, os preços subiram até 50% nos dois últimos meses.

“É um aumento que determinados mercados não têm como pagar, por exemplo, a cesta básica é quase toda embalada em plástico”, cita Roriz. Segundo ele há falta de resinas (PVC) e polipropileno, utilizado nas embalagens em geral e tampas de garrafas, entre outros itens.

A falta causa problemas no mercado para vários setores, afirma Roriz, ressaltando que o plástico é preponderante na embalagem de alimentos, produtos de limpeza, medicamentos, itens para exportação e entregas por delivery. “As fábricas estão produzindo, mas não têm como embalar pois falta plástico”. Ele lembra que a produção de plástico e de papelão usa boa parcela de material reciclado mas, com o auxílio emergencial pago pelo governo muitas pessoas deixaram de coletar produtos e falta também plástico reciclável

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