Falta de gás não comprometerá auto-suficiência, diz Petrobras

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse nesta segunda-feira que, em tese, uma eventual interrupção da importação de gás boliviano não comprometeria a auto-suficiência nacional. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva na sede da empresa, no Rio de Janeiro, realizada para comentar os resultados financeiros divulgados na última sexta-feira.Ao ser indagado sobre o tema, Barbassa teorizou sobre o fato de o Brasil importar em gás hoje o correspondente a 100 mil barris de óleo equivalente (boe) por dia. "Na prática, até o final do ano, com a entrada em operação de toda a capacidade operacional da P-50, FPSO Capixaba e outras duas plataformas que ainda vamos instalar, já estaremos exportando bem mais do que 100 mil barris por dia, que poderiam substituir o volume equivalente de gás natural importado da Bolívia", afirmou, lembrando que esse superávit deve chegar no final de 2006 a US$ 3 bilhões, ante o déficit ainda existente no final do primeiro trimestre, de US$ 41 milhões.Substituição O diretor, entretanto, admitiu que a substituição direta do gás natural por outro tipo de derivado de petróleo, como óleo combustível ou mesmo óleo diesel, é bastante complexa e não teria como ser viabilizada de imediato em alguns casos, como em determinados tipos de indústria ou mesmo em parte das usinas termelétricas. Segundo Barbassa, a Petrobras deve incluir na revisão de seu planejamento estratégico, a ser divulgado em meados de junho, novos investimentos no desenvolvimento de áreas potenciais de gás natural no Brasil e mesmo em plantas de regaseificação. "Isso ainda está sendo decidido, mas pode entrar no novo plano", afirmou, completando que a Petrobras já possui pelo menos US$ 16 bilhões programados para serem investidos na área de gás no país até 2010, incluindo parte do plano de desenvolvimento da Bacia de Santos e gasodutos.Bolívia Ainda segundo Barbassa, o aumento de custos com o pagamento de tributos na Bolívia desde maio do ano passado comprometeu o desempenho da companhia naquele país. Os resultados da Petrobras na Bolívia caíram de US$ 24 milhões no primeiro trimestre de 2005 para US$ 13 milhões nos três primeiros três meses deste ano.Segundo ele, não existem provisionamentos para a nova elevação do valor dos tributos, anunciada no dia 1º de maio, de 50% para 82%, e nem será feito provisionamento para a possível elevação de preços que o governo boliviano está pretendendo. "Provisões são feitas quando temos a certeza de que vamos perder e sabemos o quanto perderemos. Neste caso ainda existem discussões em andamento", explicou. Lucro A Petrobras encerrou o primeiro trimestre deste ano com um caixa de R$ 23 bilhões. Com o resultado, explicou Barbassa, "dispensa a necessidade da empresa fazer novas captações no mercado num curto prazo", apesar dos dividendos já pagos em março, no valor de R$ 4 bilhões e mais R$ 3 bilhões que devem ser pagos até o dia 2 de junho. No total, até o final do primeiro trimestre, a Petrobras já realizou R$ 5,9 bilhões em investimentos, ou 12% a mais do que no primeiro trimestre do ano passado.Quanto ao endividamento, Barbassa destacou o fato de que a companhia está "pagando suas dívidas mais rapidamente do que contratando novas". O endividamento líquido da companhia caiu de R$ 24,825 bilhões para R$ 21,516 bilhões.

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