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Falta de infraestrutura também encarece produto nacional

O custo da demora na execução de seis obras do PAC, começadas há mais de quatro anos, chega a R$ 28 bilhões

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2014 | 02h09

Um dos principais gargalos apontado pelos especialistas como causa da baixa competitividade da indústria brasileira é o déficit de infraestrutura logística. Esse item representa um adicional de cerca de 2% no preço do produto nacional. "Pode parecer que não tem um peso tão grande, mas nesse cenário de queda da demanda internacional, a disputa é grande. Esse porcentual, muitas vezes define quem ganha e quem perde o negócio", ressalta José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp.

Para José Augusto Fernandes, diretor de Políticas e Estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a ineficiente infraestrutura do País, com prevalência de modais mais caros e a complexidade do sistema aduaneiro, dificultam as empresas que adotam o modelo de não acumular estoques. Para isso, os sistemas de logística precisam estar muito alinhados tanto internamente quanto do portão da fábrica para fora. "Mas se o navio chega no porto e, em vez de gastar seis horas, enfrenta muitos dias de espera, há insegurança e necessidade de gastar mais recursos para manter estoques."

Contudo, Fernandes aponta que, nos últimos seis anos, com as concessões e a maior participação do setor privado ocorreram melhorias. "Os investimentos estão crescendo, mas ainda abaixo das necessidades do Brasil", afirma Fernandes.

Para atrair mais capital privado, é preciso segurança jurídica e agências regulatórias independentes e capacitadas. "Os processos são confusos e sujeitos a diversas interpretações. Os aportes são poucos e, quando ocorrem, os investidores acabam assumindo um risco muito alto que se traduz em preço elevado dos serviços de infraestrutura", completa o economista Samuel Pessoa. Ele avalia que os investimentos públicos precisam ser ampliados, o que exige política fiscal e orçamentária mais adequada.

Demora. Um problema que tem sido recorrente é o atraso nas obras. Conforme levantamento da CNI, o custo da demora na execução de seis obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) iniciadas há mais de quatro anos chega a R$ 28 bilhões.

O atraso tem origens recorrentes como a má qualidade dos projetos básicos, a lentidão na obtenção das licenças ambientais e na realização das desapropriações e a má gestão dos projetos durante as obras. Segundo a CNI, o Brasil necessita de um banco de projetos.

João Augusto Nardes, ministro presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), avalia que há falta de planejamento. Auditorias feitas em 1.500 obras de rodovias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes detectaram 160 paralisações. "Faltava projeto básico. Apenas duas foram paradas pelo TCU. Essa história de dizer que TCU é culpado é uma forma de justificar a falta de planejamento e governança no País."

Outro componente importante, as relações de trabalho também impõem desafios ao setor produtivo. O problema atual é que se empresários e trabalhadores firmarem um acordo, mais adiante esse acerto pode ser questionado na Justiça. / D.R.

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