Falta de licença atrasa sondas da Petrobrás

Estaleiro Eisa, em Alagoas, ainda aguarda aval de órgão ambiental para iniciar a construção de cinco equipamentos de perfuração

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h46

Um dos responsáveis por construir até quatro sondas de perfuração do pré-sal para a Petrobrás, o estaleiro Eisa Alagoas, ainda não recebeu a licença de instalação do Ibama para tirar o projeto do papel. Técnicos do órgão estiveram na semana passada no local e a papelada é esperada para entre 30 e 60 dias, segundo fontes do grupo Synergy, dono do empreendimento.

O estaleiro é o mais atrasado entre os que devem montar 33 sondas para a Petrobrás, as primeiras com tecnologia para águas ultraprofundas a serem produzidas no Brasil. O grupo Synergy é dono de outros estaleiros já em operação no País.

Apesar disso, o Eisa Alagoas pode levar até quatro das cinco sondas que a empresa de investimentos Ocean Rig (do empresário German Efromovich, do grupo Synergy) administrará para a estatal. "O foco é fazer o máximo possível em Alagoas", diz uma fonte do grupo.

O Alagoas é um dos chamados estaleiros virtuais que preocupam a presidente da Petrobrás, Graça Foster, pela possibilidade de atrasar a entrega dos equipamentos previstos para a partir de 2015 e, com isso, a exploração do pré-sal.

O estaleiro é chamado de virtual porque ainda não existe. Terá de ser erguido praticamente junto com as encomendas que vai produzir, o que gera insegurança quanto ao cumprimento de prazos.

A Petrobrás não tem caixa próprio para comprar as 33 sondas. A construção e os aluguéis dos equipamentos têm custo total estimado em cerca de US$ 95 bilhões. Por isso, delegou a tarefa à Ocean Rig (5 unidades) e à Sete Brasil (28), que vão construir e ser donas das sondas, e depois afretá-las à estatal por mais de US$ 500 mil por dia.

Além do virtual Eisa Alagoas, o Grupo Synergy tem em seu portfólio dois dos mais antigos e estaleiros do País: o Eisa (no Rio) e o Mauá (em Niterói, RJ). A primeira sonda da Ocean Rig tem entrega prevista para meados de 2015 e virá certamente do Mauá, enquanto o grupo ganha tempo para construir o Eisa Alagoas.

Já o Eisa (RJ), que está em operação desde 1961 e já montou 439 embarcações, está fora do páreo por já estar lotado com encomendas de 36 navios até 2015. "Já temos muitas obras aqui no Rio, aqui não vai ter. A visão é desenvolver um estaleiro novo", disse.

Prazos apertados. Os prazos estabelecidos nos contratos assinados com a Petrobrás em fevereiro são considerados muito apertados, segundo a fonte do grupo. "Não digo que é impossível fazer, mas é muito difícil entregar no prazo." No entanto, a empresa se considera em situação mais favorável do que a concorrente Sete Brasil, que terá um número maior de estaleiros virtuais ou com atrasos. "Se o Alagoas não ficar pronto, temos o Mauá como opção."

No fim de semana, Graça voltou a mostrar preocupação com a situação dos estaleiros, mencionando também os que já estão em operação, mas andam assoberbados com encomendas. Segundo ela, todos os estaleiros envolvidos com as 33 sondas tiram seu sono, e não apenas o Atlântico Sul (EAS, em Pernambuco). O estaleiro, que enfrenta atrasos na entrega de navios à Transpetro e problemas de gestão, perdeu neste mês o sócio com conhecimento para tocar os projetos a tempo, a Samsung. Agora, o EAS procura novos parceiros tecnológicos, e negocia com japoneses e poloneses.

No mês passado, o Estado mostrou que o estaleiro Jurong Aracruz (ES), responsável por outras seis sondas, nem sequer havia iniciado os trabalhos de terraplenagem, apesar de já ter a licença de instalação.

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