Falta de luz e água afeta 18% das microempresas

Pesquisa do Simpi-SP mostra que os maiores danos recaem sobre o ritmo de produção e o prazo de entrega

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2014 | 02h08

A falta de energia elétrica e de água é mais um problema para as pequenas e microempresas paulistas, além do cenário de desaceleração da economia que afeta a demanda por seus produtos. Em março 18% das pequenas e microempresas instaladas no Estado de São Paulo foram prejudicadas pela interrupção no fornecimento de energia e ou de água, revela pesquisa do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP). A enquete consultou 311 executivos, a maioria microempresários e o restante donos de empresas de pequeno porte, entre 7 e 24 de abril.

"Esse resultado é elevadíssimo", afirma o presidente do Simpi, Joseph Couri. Ele observa que a expectativa era de que a falta de água fosse o maior problema. No entanto, a pesquisa mostrou que a interrupção no fornecimento de energia é mais grave. "Sem energia não dá para tocar a fábrica", diz ele.

Esse é o caso do pequeno empresário Erisvaldo Soares Santos, de 44 anos, que há 22 tem uma fábrica de manequins, a Arte Viva, em Guarulhos (SP). "No mês passado enfrentamos interrupções no fornecimento de energia de 10 a 15 minutos", conta. O corte de energia reduziu em 10% a produção e o faturamento da empresa em abril na comparação com o mesmo período de 2013. Em condições normais, a empresa produz de 800 a mil manequins por mês e fatura cerca de R$ 400 mil.

Santos explica que a interrupção do fornecimento de energia por 10 minutos pode parecer pouco, mas provoca um estrago enorme na produção e na rentabilidade, com reflexos até nos ativos da empresa e atraso nas entregas. "Temos 10 esmerilhadoras quebradas por causa da queda na energia. Metade está queimada e, neste caso, é preciso substituir o equipamento."

O pequeno empresário usa energia nas máquinas que fazem a moldagem dos manequins, nas esmerilhadoras, que dão o acabamento, e nos compressores usados na pintura.

Para contornar o problema, Santos decidiu ampliar os estoques de manequins prontos, o que representa um custo financeiro adicional por causa da trajetória ascendente dos juros. Além disso, planeja comprar um gerador. Mas o equipamento é muito caro para o porte da empresa: custa cerca de R$ 30 mil. "Vou ter que financiar o equipamento buscando crédito no BNDES."

Reflexos. A pesquisa mostra que, quando se avalia só a questão da falta de energia, 14% dos pequenos e microempresários tiveram problemas de abastecimento. A interrupção atingiu19% dos pequenos empresários e 13% dos microempresários. É considerada uma microempresa estabelecimentos com até nove funcionários. Pequena empresa é aquela que emprega entre 10 e 50 pessoas.

Os impactos da interrupção da energia aparecem especialmente sobre a produção, de acordo com 55% dos entrevistados afetados, no atraso do cumprimento de prazos de entrega (21%), na queima do equipamento (5%) e no custo adicional na jornada de trabalho (3%) para suprir a falta de luz.

No caso do abastecimento de água, 6% dos entrevistados tiveram problemas de abastecimento em março, sendo que a incidência maior foi entre as pequenas empresas (8%).

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