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Falta de milho pode reduzir criação de suínos em Minas

A queda na oferta de milho poderá provocar uma redução de até 20% no plantel de matrizes de suínos em Minas, informou nesta segunda-feira o presidente da Associação de Suinocultores do Estado (Asemg), José Arnaldo Pena. A queda é o dobro da primeira estimativa, feita em setembro pela associação.Conforme Pena, o descarte já começou. "Estamos precisando de uma importação urgente de milho, pois não há estoque suficiente para abastecer a produção", afirma. De acordo com ele, já existem propostas de venda do produto a R$ 30,50 o saco de 60 quilos, com pagamento antecipado. Em agosto, o preço atingia entre R$ 15 e R$ 18.Com o aumento dos custos de produção, uma arroba do suíno vivo, o equivalente a 15 quilos de carne, está custando R$ 39,37 no Estado, o que equivaleria a 1,3 saco de milho. "O ideal seria uma remuneração que fosse suficiente para adquirir 2,5 sacos ou então que o produto estivesse cotado a um nível entre R$ 14 e R$ 15 o saco", diz.Pena diz que não existe uma estimativa oficial do número de matrizes em Minas. De acordo com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), o Estado possui atualmente 160 mil matrizes, mas para a Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs) este volume chegaria a 300 mil matrizes.Minas é o quarto maior produtor do País, perdendo para Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. A produção mineira atinge 10% do total nacional, com um volume entre 230 mil e 240 mil toneladas de carne por ano. As principais regiões produtoras do Estado estão localizadas no Triângulo, Alto Paranaíba e Sul, além do Vale do Piranga.Os suinocultores mineiros esperam que o governo federal defina até a próxima semana uma solução para a importação de milho destinado a abastecer a produção animal. Para o presidente da Asemg, a questão é de "segurança nacional" e não caberia nem mesmo a discussão em torno da importação de milho geneticamente modificado. Ele ressalta que existe um parecer conclusivo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), datado de julho de 2000, que atesta a segurança alimentar do milho transgênico para animais.O parecer foi solicitado pelo próprio Ministério da Agricultura à época para a importação do produto. "A nossa reivindicação é de que o ministério importe ou viabilize a importação do grão através de cooperativas de produtores", afirma Pena. De acordo com ele, outras medidas de incentivo à produção também poderiam ser adotadas, como a liberação do ICMS para a compra de milho nas fronteiras interestaduais.O presidente da Associação dos Suinocultores do Vale do Piranga (Assuvap), Henrique Marinho, acredita que a escassez do produto no mercado é motivada principalmente pela grande concentração de estoques nas mãos de especuladores. "O custo de produção está ficando inviável e não existem animais para abate", diz.O Vale do Piranga, região Leste de Minas, responde por 35% da produção de suínos em todo o Estado. A alternativa encontrada pela associação foi incentivar o plantio de milho na região. "Já para 2003, esperamos ter uma área de 25 mil hectares plantados, mas precisaríamos de 35 mil hectares para chegar à auto-suficiência", diz.As duas entidades de produtores acreditam que a utilização do produto transgênico não chegará a afetar a exportação de suínos do País. "O problema seria se vendêssemos grande parte da produção para a União Européia, o que não ocorre", afirma o presidente da Assuvap.

Agencia Estado,

18 de novembro de 2002 | 19h29

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