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Falta de opção ferroviária prejudica exportação em Paranaguá

A ausência de trens para carregar grãos do Centro-Oeste até o Paraná já prejudica Paranaguá (PR), o principal porto agrícola do País. A privatização das ferrovias a partir de 96 e o desenvolvimento da Ferronorte - ferrovia que liga o Mato Grosso do Sul a São Paulo - melhoraram as opções ferroviárias para o transporte até o Porto de Santos (SP). Motivados pelos menores custos do trem, em comparação com o caminhão, os agricultores preferiram exportar por São Paulo no primeiro trimestre."Atualmente, quatro ferrovias desembocam em Santos ? Ferronorte, Novoeste, MRS e Ferroban", afirmou o diretor do Porto de Paranaguá Lourenço Fregonese. "Nós aqui temos somente a América Latina Logística (ALL). Sem dúvida, isso nos traz prejuízo", disse. De acordo com ele, o esforço da ALL para a captação de carga tem beneficiado Paranaguá."A ferrovia tem melhorado a sua participação no transporte no porto. Em 2001, a ALL carregou para Paranaguá 7 milhões de toneladas de grãos", disse Fregonese. No entanto, segundo ele, a infra-estrutura ferroviária deveria ser melhor porque o grão é uma carga mais apropriada para o trem do que para o caminhão por ser de grande volume e alta densidade.No primeiro trimestre, o Porto de Santos embarcou 323,9 mil toneladas de soja, mais do que o dobro do total embarcado pelo porto paranaense, de 143,9 mil toneladas do grão. Segundo Fregonese, além da logística, há outros motivos para o fenômeno. De acordo com ele, o Porto de Santos exportou nesses primeiros meses 70% da soja proveniente do cerrado. Um dos motivos é que as ferrovias ofereceram bons preços e boas condições para o transporte até o porto."No mesmo período, o Paraná exportou só 20% da soja. Os agricultores decidiram esperar para embarcar depois e conseguir melhores preços", declarou. Por causa disso, Fregonese acredita que Paranaguá supere Santos no volume total do ano na exportação de soja. "Não necessariamente o cavalo que sai na frente ganha a corrida", brincou.FronteiraO executivo acredita que o desenvolvimento da nova fronteira agrícola no Centro-Oeste beneficiará os portos mais ao Norte do País, como Santos, Vitória (ES) e Itacoatiara (AM). Para evitar futuros prejuízos, o Porto de Paranaguá saiu em busca da diversificação das cargas e da melhoria da infra-estrutura logística. Segundo Fregonese, o porto está investindo na movimentação de açúcar, de contêineres e de veículos para não ficar muito restrito à soja. Além disso, de acordo com ele, Paranaguá está procurando atender as exigências crescentes de importadores, em especial os europeus, que querem a "segregação" dos produtos enviados para seus países. Isto é, o transporte das mercadorias é controlado desde a origem na região produtora até o embarque nos navios, com movimentação separada de acordo com o terminal e o produto. "Cada armazém envia a carga por esteiras segregadas. Essa tem sido uma exigência dos importadores para melhorar a qualidade do produto exportado" , declarou Fregonese.CBLComo parte dos investimentos para melhorar o corredor de exportação, o porto inaugurou esta semana o novo terminal da Companhia Brasileira de Logística (CBL). Com o investimento, a capacidade de armazenagem da CBL foi ampliada de 50.000 para 75.000 toneladas. Foram construídos quatro silos metálicos com capacidade para receber 5.000 toneladas cada um. A empresa investiu cerca de R$ 6 milhões para modernizar e ampliar os seus armazéns e trabalhar com a segregação dos produtos.A CBL pretende exportar este ano 2 milhões de toneladas de grãos, 53% a mais do que o total de 1,3 milhão no ano passado. Segundo Fregonese, o exemplo da CBL é prova de que o porto está correndo em busca da excelência logística. " Não seremos nunca o maior porto, mas com certeza seremos o mais bonito, com melhores serviços", brincou.

Agencia Estado,

23 de maio de 2002 | 13h54

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