Werther Santana / Estadão
A Fiat segue na liderança há seis meses seguidos e ficou com 21,2% de participação no segmento de automóveis e comerciais leves. Werther Santana / Estadão

Falta de peças atrapalha entregas e vendas de carros caem 17% em fevereiro

Escassez de componentes, principalmente semicondutores, atinge o mundo todo devido às dificuldades dos fabricantes da Ásia em atender a demanda, que voltou mais forte do que se esperava após o primeiro pico da pandemia

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 14h58

Com a falta de componentes que causou atraso na produção e com menos dias úteis, as vendas de veículos novos caíram quase 17% em fevereiro na comparação com igual mês de 2020. Foram emplacados 167,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, número 2,1% inferior ao de janeiro, segundo dados preliminares do mercado.

No bimestre, a soma do mercado total foi de 338,5 mil unidades vendidas, queda de 14% na comparação com o mesmo intervalo de 2020, quando ainda não havia pandemia no País. Alguns veículos estão em falta nas lojas e há filas de espera, inclusive para caminhões.

No mês passado a média diária das vendas ficou em 7.909 unidades, ante 8.125 em janeiro. As perspectivas para março são de continuidade de escassez de peças, principalmente de semicondutores.

Executivos do setor acreditam que a regularização de entregas deve ocorrer no segundo semestre. O problema atinge o mundo todo devido às dificuldades dos fabricantes de chips da Ásia em atender toda a demanda, que voltou mais forte do que se esperava após o primeiro pico da pandemia da covid-19.

A Fiat segue na liderança há seis meses seguidos e ficou com 21,2% de participação no segmento de automóveis e comerciais leves, que somou 158,1 mil unidades. A Volkswagen ficou na segunda posição, com 17,1% das vendas, enquanto a General Motors teve 15,8%. Ainda assim, o Chevrolet Onix continua sendo o modelo mais vendido no País, com 20,8 mil unidades.

O segundo da lista é a picape Strada, com 18,6 mil unidades. Na lista dos 10 mais vendidos, quatro são da Fiat e um da Jeep, que pertencem ao grupo Stelanttis, que tem ainda Peugeot e Citroën.

No ranking das marcas, a Ford, que já tinha caído para o sétimo posto, despencou mais um pouco, agora para a 10ª posição, com 2,4% das vendas. A marca, tradicional quarta ou quinta colocada no mercado, anunciou o fechamento de suas fábricas no País em janeiro e passará a vender apenas carros importados premium.

A Hyundai ficou em quarto lugar no ranking (9,7% de participação), seguida Renault (6,7%), Jeep (6,6%), Toyota (6,5%),  Honda (4,6%), Nissan (3,6%). Entre os modelos mais vendidos, além de Onix e Strada estão Hyundai HB20 (15,6 mil unidades), Onix Plus (13,6 mil), Jeep Renegade (12,9 mil), Volkswagen Gol (3,8%), Fiat Argo (11,2 mil), Fiat Toro (10,9 mil), Fiat Mobi (10,8 mil) e Volkswagen T-Cross (10,7 mil).

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Com falta de peças, GM vai colocar 600 trabalhadores em lay-off por 2 meses no interior de SP

É a segunda fábrica da montadora a ter de adotar a medida; o mesmo ocorrerá na unidade de Gravataí (RS)

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 16h36

A General Motors vai suspender, em princípio por dois meses, um turno de trabalho na fábrica do Vale do Paraíba (SP) e colocar 600 trabalhadores em lay-off (suspensão temporária de contratos). O motivo é a falta de componentes, em especial de semicondutores. É a segunda fábrica do grupo a adotar a medida. O mesmo ocorrerá na unidade de Gravataí (RS).

Em reunião na manhã desta segunda-feira, 1.º,  com dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos a empresa informou ter peças para manter a produção em dois turnos somente até o dia 8. Por isso, quer iniciar o lay-off na próxima segunda-feira, 8, com retorno previsto para 2 de maio.

O secretário-geral do sindicato, Renato Almeida, afirma que levará o tema para uma assembleia de trabalhadores nesta terça-feira, 2, mas a entidade antecipa que defenderá a medida se a montadora se comprometer com a manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da unidade, que produz a picape S10 e o utilitário-esportivo (SUV) Traiblazer, além de componentes.

O sindicalista informou ainda que a GM contratou 300 trabalhadores temporários (por seis meses) no início do ano e estava ampliando a produção, principalmente da S10 - que tem fila de espera nas lojas de até 90 dias -, mas a falta de componentes, entre os quais eletrônicos, impede a manutenção do ritmo de produção.

O complexo de São José dos Campos emprega cerca de 3,5 mil trabalhadores e um outro grupo de 368 funcionários já está em layoff desde abril do ano passado, com retorno previsto para 8 de abril. Ou seja, durante um período haverá mais de 900 pessoas afastadas. 

Em nota, a GM repetiu comunicado divulgado na semana passada sobre a situação de Gravataí. “A cadeia de suprimentos da indústria automotiva na América do Sul tem sido impactada pelas paradas de produção durante a pandemia e pela recuperação do mercado mais rápida que o esperado. Isso tem o potencial de afetar de forma temporária e parcial nosso cronograma de produção. Estamos neste momento trabalhando com fornecedores, sindicato e outros parceiros de negócios para mitigar os impactos gerados por esta situação.”

Férias coletivas

Na unidade gaúcha, onde é produzido o Onix, automóvel mais vendido no País, cerca de 2 mil funcionários dos dois turnos de trabalho da GM e mais 2 mil dos fornecedores de autopeças que operam dentro do complexo entraram em férias coletivas nesta segunda por 20 dias. No início de abril, após o retorno, cerca de metade deles deverá entrar em lay-off por dois a cinco meses.

Os trabalhadores de Gravataí já aceitaram a proposta em assembleia realizada na sexta-feira, 26, e aguardam para o fim desta semana a informação da empresa do número exato de trabalhadores que terão os contratos suspensos e por quanto tempo, segundo informa Valcir Ascari, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí.

Na fábrica de São Caetano do Sul (SP), onde são feitos os modelos Tracker, Onix Joy, Montana e Spin não há conversas, no momento, sobre possíveis paradas, diz o presidente do sindicato local, Aparecido Inácio da Silva.

O problema de falta de peças, em especial de semicondutores, é global em razão da paralisação de pedidos das montadoras no meio da pandemia no ano passado, mas, com o retorno da produção em níveis acima do esperado ocorreu o descompasso entre as fabricantes dos itens, a maioria da Ásia, e a demanda das montadoras.

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