Falta de pneus prejudica produção

Só a CNH, do Grupo Fiat, tem entre 100 e 150 tratores aguardando peças e pneus no pátio da fábrica, em Curitiba

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2008 | 00h00

A demanda aquecida por carros, caminhões e tratores está provocando a falta de peças, principalmente pneus, nas montadoras. O quadro verificado há cinco anos, quando veículos ficaram incompletos nos pátios, volta a se repetir. Com a incapacidade dos fornecedores locais de darem conta da demanda, as empresas apelam para a importação ou a a compra de produtos no mercado de reposição, a custo mais elevado.Na CNH (antiga Case New Holand), fabricante de máquinas agrícolas, há 150 veículos aguardando pneus e peças como engrenagens no pátio da fábrica em Curitiba (PR). Os veículos esperam três semanas para serem completados. "Vamos precisar comprar mil pneus no mercado de reposição este mês a custo até três vezes superior ao nacional", diz Ricardo Ribeiro, diretor de suprimentos.A CNH deve importar este ano 10 mil pneus dos EUA, contra 3 mil em 2007. O produto é 30% mais caro que o nacional, por causa do frete. Outros 5 mil pneus devem vir da China, Argentina e Itália.A Fiat Automóveis também enfrenta "abastecimento crítico" de pneus, segundo o diretor de compras Osias da Silva Galantine. Carros ficam parados de um a dois dias até receberem peças. "Vamos fechar contrato com a China e daqui a dois meses começaremos a importar 50 mil pneus mensais", informa. O produto chegará ao País 10% mais barato que o nacional.Rodas de liga leve também serão trazidas da China, uma média de 15 mil unidades ao mês. "Em seis meses vamos dobrar a importação", diz Galantine. A peça importada vai responder por 30% do consumo da Fiat.A Fiat também traz aço para peças estampadas da Coréia, a preços 15% mais baixos. Junto com demais montadoras e fornecedodores, a montadora reclama de novo reajuste de preços solicitado pelas siderúrgicas, de 16%. No início do ano, o produto já subiu entre 9% e 15%.Diante da necessidade global de buscar preços mais competitivos, a Fiat criou uma divisão mundial para a área de compras, comandada por Gianni Coda, ex-presidente da filial brasileira. "Vamos acelerar as compras dos países de melhor baixo custo", avisa o executivo, que participou ontem, em São Paulo, de seminário organizado pela publicação Autodata. Segundo Coda, a Fiat deve comprar 1,5 bilhão por ano em componentes dos países de baixo custo, como China e Índia. O Brasil está fora dessa classificação. "Não é só por causa do câmbio, mas outros custos, como a mão-de-obra", diz. A Scania ampliou entre 1% e 2% as importações de peças forjadas, fundidos, rolamentos e tubos para complementar o fornecimento local. A Iveco, que importa mensalmente 500 contêineres com 3 mil itens para caminhões informa que, além do gargalo, enfrenta desabastecimento por causa da greve na Receita Federal. Nas últimas semanas, recorreu ao transporte aéreo "a um custo dez vezes maior em relação ao navio", diz o diretor de compras Lúcio Bicalho.

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