Falta de sócio local adia produção de iPad, diz ministro

Segundo Mercadante, as empresas locais do setor de tecnologia não têm 'musculatura' para arcar com o investimento

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2011 | 03h06

Um dos principais problemas para a implantação da fábrica para a montagem no Brasil do computador tablet iPad, da Apple, é encontrar um sócio brasileiro capacitado, afirmou nesta ontem o Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Apesar dos esforços do ministério para garantir a instalação da unidade produtiva da Foxconn, ainda há dificuldades no projeto incluindo fornecimento de energia, mão de obra qualificada e parceiros locais, disse Mercadante.

A expectativa oficial do ministério é que a taiwanesa Foxconn, responsável pela fabricação do iPad para a Apple, produza o equipamento até o final do ano na região de Jundiaí, no interior de São Paulo. Outros aparelhos da marca, como iPhones e iPods, também deverão ser fabricados em unidade industrial próxima.

"A negociação é bastante complexa, as condições de estrutura, tecnologia, energia, logística. É muito complexo", disse o ministro a jornalistas após falar em um seminário sobre inovação e tecnologia em São Paulo.

"Qual é a maior dificuldade? São os sócios brasileiros", disse ele durante sua apresentação. "É uma exigência ter sócios brasileiros. Na área de tecnologia os sócios que nós temos não têm musculatura financeira para investimentos próximos a esse valor", disse ele.

O valor a que ele se referia são os estimados US$ 12 bilhões que devem ser aplicados no empreendimento, mas ele acrescentou que não é "exatamente" esse valor a ser investido no projeto, mas um montante "próximo". Especialistas do setor insistem, porém, que a fábrica consumiria um valor bem menor do que o divulgado pelo governo.

Mercadante tentou afastar especulações de que a montagem local do produto pode ser adiada, afirmando que, apesar da complexidade do tema, as negociações estão "avançadas" e que está "otimista" com o resultado. Ele afirmou não poder dar detalhes por ter um acordo de sigilo com as partes envolvidas.

O ministro disse ainda que o governo cumpriu a promessa de ter tablets feitos no País sob o novo regime de incentivos para a produção local do equipamento, citando como exemplo Samsung, Motorola e Positivo Informática - esta última lançou oficialmente seu tablet na semana passada.

Inovação. Uma das principais metas agora do ministério é atrair empresas para produzir telas sensíveis ao toque no Brasil, o que representaria um marco para o país, disse Mercadante.

Nenhum país ocidental possui fábricas desses equipamentos, segundo o ministro - por enquanto, a produção está concentrada na Ásia. O governo também que atrair a iniciativa privada para fabricação de semicondutores. / REUTERS

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