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Falta dinheiro para dívida de curto prazo na Petrobrás

Resultado mostra a dificuldade de caixa da empresa, que anunciou novos empréstimos com bancos no início do segundo trimestre

André Magnabosco, Vinicius Neder, Antônio Pita, Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2015 | 20h27

Atualizado às 23h02

Os resultados do primeiro trimestre, auditados e no tempo regulamentar, vieram um pouco acima do esperado por analistas, mas velhos problemas têm se agravado. A dívida líquida subiu para R$ 332,457 bilhões no primeiro trimestre, ante R$ 282,089 bilhões no fim do ano passado, sobretudo por causa da alta do dólar. Com isso, e diante da necessidade de utilizar os recursos em caixa para o dia a dia, a companhia ficou na indesejada situação de não ter recursos suficientes para honrar dívidas com vencimento no curto prazo.

No primeiro trimestre, a dívida de curto prazo da estatal cresceu 25,8%, influenciada pelo efeito cambial, e atingiu R$ 39,721 bilhões. Já o volume de recursos em caixa encolheu 22,1%, ou R$ 9,8 bilhões, e totalizou R$ 34,450 bilhões.

“O endividamento piorou bastante. Essa preocupação vai se manter”, disse Thiago Biscuola, economista da RC Consultores.

Em dólar, o endividamento até caiu, para US$ 103,634 bilhões, de US$ 106,201 bilhões no fim de 2014, mas novas captações no segundo trimestre vão engordar o montante. Em 1º de abril, foi concluída um financiamento de US$ 3,5 bilhões junto ao Banco de Desenvolvimento da China (BDC).

Na segunda quinzena do mês, a estatal divulgou um conjunto de financiamentos. Foram captados R$ 4,5 bilhões do Banco do Brasil, R$ 2 bilhões com a Caixa Econômica Federal, R$ 3 bilhões com o Bradesco e US$ 3 bilhões com o banco Standard Chartered. O acordo com o BB foi na modalidade de crédito à exportação.

O diretor financeiro, Ivan Monteiro, reconheceu que a elevação da dívida é uma “preocupação”. Segundo ele, os índices estão “bem acima da média da indústria”, mas as medidas que serão adotadas e os prazos para reduzir o endividamento só devem ser apresentados após a definição do novo plano de negócios de 2015 a 2019 da empresa, previsto para junho.

“É uma preocupação nossa buscar índices mais adequados de alavancagem (tamanho da dívida em relação à geração de caixa ou ao patrimônio). A Petrobrás tem níveis bem acima da indústria, e a diretoria está focada na redução. Há uma tendência de redução desse valor, mas teremos melhor ideia sobre isso após o plano de negócios”, resumiu Monteiro.

Passado o reconhecimento de perdas da ordem de R$ 50 bilhões no balanço financeiro do ano passado, por causa de corrupção e ineficiência, a desconfiança do mercado já havia se voltado para o antigo problema do excesso de dívida. Ele se soma à incerteza sobre a capacidade de produzir mais e gerar caixa para custear pesados investimentos.

Plano de negócios. Por isso, agora, todas as atenções se voltam para o plano de negócios mencionado por Monteiro. O documento deveria ser divulgado em fevereiro. Nele, a companhia detalhará seus investimentos e projeções para o crescimento da produção.

Já foi anunciado um corte nos investimentos para este ano e o próximo – eles ficarão em US$ 29 bilhões e US$ 25 bilhões, respectivamente.

No primeiro trimestre, a estatal investiu 13% menos em relação a igual período de 2014, somando R$ 17,843 bilhões.

Segundo o analista independente Flávio Conde, do blog WhatsCall, em situações como essa uma empresa privada cortaria seus investimentos em 80% até reduzir a dívida. “A Petrobrás não pode cortar em 80% seus investimentos por uma questão política. Ela vai cortar o que puder, mas nada drástico”, afirmou Conde.

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