Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Falta emprego para 27,6 milhões no País, mostra IBGE

Subutilização da força de trabalho ficou em 24,6% no segundo trimestre, segundo a Pnad; 4,8 milhões desistiram de procurar emprego

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 09h26

RIO - Falta trabalho hoje para 27,636 milhões de brasileiros. O dado corresponde ao divulgado nesta quinta-feira, 16, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) trimestral, compilada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números são um retrato da situação do emprego no País no segundo trimestre de 2018 (abril, maio e junho). E o que se vê é que a taxa de subutilização da força de trabalho teve um ligeiro recuo no período, de 24,7% referente ao primeiro trimestre de 2018 para 24,6% do segundo trimestre.

A taxa de subutilização de força de trabalho é um indicador que inclui o porcentual de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas estariam disponíveis para trabalhar.

No segundo trimestre de 2017, a taxa de subutilização da força de trabalho estava mais baixa, em 23,8%.

 

 

 

Desempregados há mais de dois anos

Uma outra informação chama atenção. O País tem 3,162 milhões de pessoas em busca de um emprego há mais de dois anos. O resultado é recorde tanto em volume de pessoas atrás de uma vaga há tanto tempo, quanto em proporção de pessoas em relação à população desempregada. Em relação ao segundo trimestre de 2017, aumentou em 8,1% o contingente de desempregados há mais de dois anos.

Outros 1,857 milhões de trabalhadores procuram emprego há mais de um ano, mas há menos de dois anos.

O grosso dos desempregados, 6,079 milhões, está em busca de uma vaga há pelo menos um mês, mas há menos de um ano.

Na faixa dos que tentam encontrar um trabalho há menos de um mês estão 1,869 milhão de pessoas.

Número recorde de desalentados

O Brasil alcançou o recorde de 4,833 milhões de pessoas em situação de desalento no segundo trimestre de 2018, o maior patamar da série histórica iniciada em 2012 pelo IBGE.

O resultado significa quase 200 mil desalentados a mais em apenas um trimestre. No primeiro trimestre do ano, o País tinha 4,630 milhões de pessoas nessa situação. No primeiro trimestre de 2012, início da série histórica da pesquisa, essa população totalizava 1,995 milhão.

A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade – e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial.

A taxa de desalento ficou em 4,4% da força de trabalho ampliada no segundo trimestre de 2018, também a mais elevada da série histórica. Entre as unidades da federação, Alagoas (16,6%) e Maranhão (16,2%) registraram as maiores taxas de desalento. O Rio de Janeiro (1,2%) e Santa Catarina (0,7%) tiveram os menores resultados.

Desemprego entre brancos, negros e pardos

A taxa de desocupação ainda é muito mais elevada entre pretos e pardos do que entre brancos. No segundo trimestre de 2018, a taxa de desemprego ficou em 9,9% entre os brancos, resultado inferior à taxa de 15,0% registrada entre pretos e de 14,4% entre os pardos. A falta de trabalho média no País foi de 12,4% no período.

No início da série histórica da pesquisa, no primeiro trimestre de 2012, a taxa de desemprego média estava estimada em 7,9%, a dos pretos correspondia a 9,7%; a dos pardos, 9,1%; e a dos brancos, 6,6%.

O contingente dos desocupados no Brasil no primeiro trimestre de 2012 era de 7,6 milhões de pessoas: os pardos representavam 48,9% dessa população, seguidos pelos brancos (40,2%) e pretos (10,2%).

No segundo trimestre de 2018, o total de desempregados subiu para 12,9 milhões de pessoas: a participação dos pardos cresceu para 52,3%; a dos brancos diminuiu para 35,0%; e a dos pretos aumentou para 11,8%.

Quanto à população fora da força de trabalho no segundo trimestre de 2018, os pardos eram 47,9%, seguidos pelos brancos (42,4%) e pelos pretos (8,5%).

Menos desempregados em SP

A taxa de desocupação no Estado de São Paulo recuou de 14,0% no primeiro trimestre de 2018 para 13,6% no segundo trimestre do ano.

No segundo trimestre de 2017, entretanto, a taxa de desemprego em São Paulo estava mais baixa, aos 13,5%.

No segundo trimestre de 2018, as maiores taxas de desocupação entre as unidades da federação foram as do Amapá (21,3), Alagoas (17,3%), Pernambuco (16,9%), Sergipe (16,8%) e Bahia (16,5%). As menores taxas de desemprego foram observadas em Santa Catarina (6,5%), Mato Grosso do Sul (7,6%), Rio Grande do Sul (8,3%) e Mato Grosso (8,5%). 

::: NÚMEROS DA PNAD CONTÍNUA REFERENTE O SEGUNDO TRIMESTRE DE 2018 :::

27,636 milhões de pessoas estavam sem emprego no Brasil.

A taxa composta de subutilização teve ligeiro recuo, saindo de 24,7% nos primeiros três meses para 24,6% no segundo trimestre.

4,833 milhões de brasileiros (4,4%) desistiram de procurar trabalho.

3,1 milhões de desempregados buscam trabalho há mais de dois anos.

15% da população negra não tem trabalho; desemprego entre os pardos chega a 14,4%; branco desocupados somam 9,9%.

Taxa de desemprego no Estado de SP ficou em 13,6% no segundo trimestre.

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