Falta investimento em infra-estrutura no Brasil, diz <i>FT</i>

Um novo estudo do Banco Mundial, que será divulgado na próxima semana, aponta para uma série de carências nos investimentos em infra-estrutura no Brasil e sugere a remoção de barreiras regulatórias para o investimento do setor privado, consideradas essenciais para revitalizar o setor, informou nesta quinta-feira, 1º, o jornal Financial Times. "O relatório vai aumentar a preocupação de que os planos recentemente anunciados pelo governo para estimular o crescimento econômico através primariamente do investimento do setor público vão frustrar às expectativas e deixarão o país ainda mais atrás de seus outros grandes colegas emergentes, disse o diário financeiro.No estudo, o Banco Mundial diz que o investimento em infra-estrutura no Brasil equivale hoje a cerca de 1% do PIB, bem aquém dos 3,2% considerados necessários para se evitar uma deterioração ainda maior da estrutura e serviços, tomando como base um crescimento econômico anual de apenas 2%.O levantamento não detalha qual o nível de investimento necessário para que o Brasil atinja um ritmo de crescimento de 5% - meta do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado pelo governo. Mas observa que para o País adicionar quatro pontos percentuais ao seu crescimento econômico, o investimento em infra-estrutura terá que saltar para entre 5% e 9% do PIB.O FT observou que o PAC prevê investimentos públicos e privados de R$ 504 bilhões entre 2007 e 2010 e inclui um adicional de 0,5% do PIB em gastos do governo em projetos essenciais. Paulo Correra, um dos autores do relatório do Banco Mundial, evitou tecer comentários sobre o PAC. Mas, falando mais genericamente ao FT, disse: "O que falta no Brasil é a idéia de que o papel do governo para capacitar o setor privado a cumprir seu papel é necessário se reduzir os custos regulatórios". Segundo Correa, o elevado custo do capital no Brasil resulta num investimento privado menor e menos eficiente. "O ambiente legal e político (para as empresas) não é estável, os contratos de concessão não são críveis e a estrutura geral de agentes regulatórios não é suficiente boa", disse.O relatório afirma que 41% dos contratos de concessão no Brasil são renegociados, um número superior à média na América Latina, de 30%. Além disso, o governo é responsável por 75% das renegociações, antes os 25% registrados na região. "Credibilidade do compromisso é essencial", disse Correa. "Toda a vez que você altera as regras básicas isso contribui para aumentar o risco regulatório e reduz a atratividade do que é essencialmente um investimento de baio risco e baixo retorno."

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