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Falta pessoal qualificado para a construção civil

E sindicatos já falam em aumento

Marcelo Rehder, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

A recuperação do nível de atividade na construção civil acelerou a contratação de trabalhadores e trouxe de volta o problema da falta de profissionais qualificados, como pedreiro, carpinteiro. "Falta pessoal qualificado de todos os níveis, mas principalmente o chamado operário imediato, aquele que inicia o canteiro de obra, como pedreiro, carpinteiro e armador", diz o vice-presidente de Relações Capital Trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Haruo Ishikawa. "A saída tem sido contratar profissionais não especializados para serem qualificados no próprio canteiro de obra."Sob o efeito da pressão de demanda, o trabalhador qualificado da construção civil passa por um momento de valorização que abre espaço para aumento de salários e melhoria das condições trabalhistas. Os sindicalistas estão atentos e não pretendem deixar passar em branco essa oportunidade. "Vamos pedir contrapartidas das construtoras, nada mais justo", afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), Antônio de Sousa Ramalho.O sindicalista elabora uma pauta de reivindicações que deverá ser entregue aos representantes das construtoras no início do próximo mês. "Para começar, queremos a antecipação de aumento salarial para novembro", diz Ramalho. "Ainda não está definido nem foi discutido com outros sindicatos em nível nacional, mas estou pensando em reajuste emergencial de pelo menos 4%." A data-base para renovação da convenção coletiva de trabalho da categoria é 1º de maio. É nessa ocasião que os salários são reajustados.Para os próximos meses, a tendência é de aumento da escassez da mão de obra especializada no setor. Com as medidas anunciadas pelo governo federal na área da construção civil, o setor pode abrir até o fim deste ano 150 mil vagas de emprego em todo o País, segundo estimativa de Ramalho. A demanda por trabalhadores da construção civil deverá ficar ainda mais aquecida a partir do fim de setembro até outubro. "É nesse período que as obras do programa ?Minha Casa, Minha Vida? começam para valer", afirma Ramalho. Anunciado no fim de março, o programa habitacional prevê a construção de 1 milhão de casas populares até o fim de 2010.Muitas vagas foram abertas nos últimos meses na construção civil em quase todo o Brasil. Mas os sindicalistas detectaram que o aumento do emprego no setor tem se dado também por meio de contratações informais, sem registro em carteira. Pesquisa informal feita pelo Sintracon-SP indicou que cerca de 70 mil trabalhadores estão empregados informalmente na construção civil no País.

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