Falta tirar bons projetos da gaveta

'A logística não é problema do produtor e,infelizmente, avança muito devagar', diz Ângelo Ozelame, analista doImea

O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2013 | 02h03

O que não faltam para o Médio Norte de Mato Grosso são bons projetos de logística. O problema é que eles não saem do papel. "A logística não é problema do produtor e, infelizmente, avança muito devagar", diz Ângelo Ozelame, analista do Imea. A região, por exemplo, deveria ser servida pelos trilhos de uma ferrovia, a Ferronorte. Pelo projeto, concebido nos anos 80 pelo empresário Olacyr de Moraes, a linha férrea ligaria Porto Velho, em Rondônia, ao Porto de Santos, em São Paulo, passando por Santarém, no Pará, o Médio Norte de Mato Grosso e a capital Cuiabá. Apenas o trecho sul do Estado, hoje com a ALL, vingou. Os trilhos estão em Itiquira e lentamente seguem rumo a Rondonópolis, sem prazo para alcançar o norte.

Também está no papel o projeto de uma hidrovia para atender a região, a Tapajós-Teles Piles. Pela proposta, os cais de atracação ficariam a cerca de 15 quilômetros de Sinop. Toda a produção do agronegócio local chegaria por barcaças até Santarém e, de lá, pelo Rio Amazonas, ganharia acesso ao mar e aos navios. A rota é a ideal, Tem o menor custo e o menor gasto de tempo até o mercado asiático, porque os navios chegam com rapidez ao Pacífico atravessando o Canal do Panamá, na América Central. A hidrovia, porém, depende da conclusão de hidrelétricas que têm sofrido oposição de índios e do Ministério Público. As barragens já em construção, porém, não incluem as eclusas nos projetos originais o que levanta dúvidas sobre o futuro da proposta. Na quinta-feira da semana passada, no entanto, o Diário Oficial da União publicou um contrato assinado pelo governo que prevê a execução do Estudo de Viabilidade da Hidrovia Tapajós-Teles Pires. O trabalho deve definir quais são as intervenções necessárias para tornar os rios navegáveis.

O projeto em estado mais avançado, mas ainda assim com o cronograma muito atrasado, é o da pavimentação do trecho norte da BR-163 para agilizar a saída rodoviária até o terminal de Santarém, no Pará. A obra, incluída no Programa de Aceleração do Crescimento, deveria estar pronta desde 2010, mas hoje quase metade da BR-163 no Estado do Pará é um caminho de chão batido, com muita lama quando chove. Estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria estima que a conclusão da 163 pode gerar uma economia de R$ 1,4 bilhão por ano ao País em gastos com transporte.

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