Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Falta trabalho para 12,7 milhões de brasileiros, aponta IBGE

Taxa de desemprego recuou para 12,1% no trimestre encerrado em agosto, de acordo com a Pnad Contínua; em igual período de 2017, desemprego estava em 12,6%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2018 | 09h00

RIO - A taxa de desocupação desacelerou para 12,1% no trimestre encerrado em agosto, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa mostra que faltou trabalho para 12,7 milhões de brasileiros.

Em igual período de 2017, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 12,6%. No trimestre encerrado em julho, o resultado ficou em 12,3%. No trimestre encerrado em maio, a taxa era de 12,7%.

 

O resultado veio em linha com levantamento do Projeções Broadcast com 31 instituições. As expectativas eram de 12,00% a 12,50%, com mediana de 12,20%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.225,00 no trimestre terminado em agosto. O resultado representa alta de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 199,852 bilhões no trimestre encerrado em agosto, alta de 2,6% ante igual período do ano anterior.

Segundo especialistas, trata-se de um período em que normalmente há contratações temporárias para atender o aumento da demanda de fim do ano. Essa análise é reforçada no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto, que mostrou a geração de 110.431 empregos com carteira assinada no País. O dado surpreendeu até mesmo a estimativa mais otimista do Projeções Broadcast, que era de 88.318 postos de trabalho. A menor projeção era de 37.313, com mediana de 59.950 vagas formais

"O País vem sofrendo um baque atrás de outro, mas a atividade continua tentando engatar uma retomada. Os dados do mercado de trabalho têm mostrado avanço nas contratações. Há um sinal claro", diz o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, que esperava 12,10% para a taxa de desemprego.

"Como ainda tem uma população desalentada muito grande, também há uma força de trabalho elevada. Por mais que o número de vagas seja pequeno, há migração para a população economicamente ativa", avalia o economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria Integrada.

No terceiro trimestre, o Brasil registrou 4,818 milhões de pessoas em situação de desalento, o maior nível da série histórica da Pnad, iniciada em 2012. No período, o País tinha 12,868 milhões de brasileiros em busca de emprego.

Taxa de subutilização da força de trabalho fica em 24,4%

Faltou trabalho para 27,506 milhões de pessoas no País no trimestre encerrado em agosto deste ano, contingente recorde de pessoas subutilizadas no mercado de trabalho.  A taxa composta de subutilização da força de trabalho teve ligeiro recuo de 24,6% no trimestre até maio de 2018 para 24,4% no trimestre até agosto deste ano.

O indicador inclui a taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas que estariam disponíveis para trabalhar. No trimestre até agosto de 2017, a taxa de subutilização da força de trabalho estava mais baixa, em 24,0%.

País tem 4,754 milhões de pessoas em desalento

O Brasil tinha 4,754 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre encerrado em agosto de 2018. O resultado significa 21 mil desalentados a menos em relação ao trimestre encerrado em maio. Em um ano, porém, 555 mil pessoas a mais caíram no desalento. 

A população desalentada é definida por pessoas que não haviam realizado busca efetiva por trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade - e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial. 

O porcentual de pessoas desalentadas na população de 14 anos ou mais de idade na força de trabalho mais os que estão em desalento foi de 4,3% no trimestre encerrado em agosto, ante 4,4% no trimestre terminado em maio. No trimestre até agosto de 2017 o porcentual de desalentados era menor, de 3,9%./COLABORARAM MARIA REGINA SILVA E CAIO RINALDI

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.