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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Faltam comando, competência, gestão, etc.

Ignorância administrativa mata, acusam em cartaz familiares dos mortos. "Falta comando", reconhecem o presidente Lula e o novo ministro da Defesa, Nelson Jobim. "Brasil cresce menos que o mundo", afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI). Afinal, onde há relação entre o sofrível resultado da economia e esta interminável crise no setor aéreo? Infelizmente (para nós, brasileiros), esta relação extrapola aeroportos e acidentes com aviões e está espalhada por quase toda a gestão pública, em que amadorismo, incompetência gerencial e mediocridade há quase cinco anos provam, com impressionante sucessão de fatos lamentáveis, ser a marca predominante do governo Lula.Não fosse o Banco Central (BC) - este abominável estranho no mundo petista - manter a política econômica de FHC e conduzi-la com profissionalismo, equilíbrio e competência, o desempenho da economia seria muito pior do que os 4,4% de crescimento previstos para 2007, quase metade dos 8% projetados pelo FMI para a média de países emergentes. A confiança dos investidores na gestão do BC contribuiu para o ingresso de investimentos estrangeiros no País atingir recordes de US$ 10,3 bilhões no mês passado e US$ 32,3 bilhões nos últimos 12 meses. E, se os Ministérios Setoriais ajudassem - ou, pelo menos, não atrapalhassem -, essa cifra certamente teria sido maior, aproximando-se dos números de China e Índia. Só que, em vez de festejá-la, ministros petistas e de outros partidos demonizam a direção do BC e não cansam de propor a demissão de Henrique Meirelles. Já pensou, leitor, o que seria se um deles assumisse o lugar de Meirelles?Certamente foi no setor aéreo que a marca da gestão-fracasso mais tragédias humanas e mal ao País causou. O jornal inglês Financial Times escreveu: "Difícil decidir qual das ações do governo é mais representativa da incompetência em dar resposta a uma crise que já dura dez meses." A empresa aérea American Airlines orientou seus pilotos a regressarem aos EUA tão logo constatem sinal de perigo à integridade física dos passageiros. São manifestações que deveriam envergonhar o comando do governo.Foi também no setor aéreo que outra marca petista - ganhos políticos acima de tudo - mais vítimas causou: ao investir milhões e milhões de reais na ampliação de aeroportos, entre eles o de Congonhas, a Infraero caprichou em fachadas luxuosas, pisos reluzentes, iluminação sofisticada, no visual para impressionar usuários, mas descuidou da segurança, das pistas de pouso, de modernizar equipamentos e o sistema técnico de controle de vôos. Só que desta vez o ganho político virou perda e contribuiu para as vaias a Lula no Maracanã, na abertura do Pan. Se o ministro Nelson Jobim está determinado a recuperar a confiança perdida nesses dez meses de crise, precisa investigar com rigor as suspeitas de superfaturamento em obras nos aeroportos e punir os infratores.Incompetência em gestão é o que não falta ao governo Lula. O binômio companheiros do PT-partidos aliados, que o presidente Lula tem usado em fartura para leiloar cargos e entregar lascas do governo, é o que dá fôlego à gestão-fracasso, à paralisia administrativa, a práticas de corrupção. O BC cuida de oferecer condições básicas para o País crescer, desenvolver, mas pára por aí. Cabe aos Ministérios definir ações, priorizar recursos e decidir regras que estimulem o investimento público ou privado em cada setor. É neste sentido que, salvo raras exceções, os Ministérios mais atrapalham do que ajudam.O Ministério da Educação passou o primeiro mandato inteiro discutindo uma reforma universitária que não saiu. Só agora o ministro Fernando Haddad começou a agir. Na Saúde, o ex-ministro petista Humberto Costa se envolveu com corrupção e nada fez. Seu sucessor tenta recuperar o tempo perdido. Nos Transportes, a operação tapa-buraco fracassou, desperdiçou dinheiro público e só depois de quatro anos o governo reconheceu que a saída é privatizar estradas. E por onde andam as Parcerias Público-Privadas, as famosas PPPs? Quem ouviu falar de alguma ação do Ministério das Mulheres? E o Ministério das Cidades? Promete, anuncia, mas não toca obras de saneamento. E as reformas sindical e trabalhista? O espaço acabou, leitor, a incompetência é tanta que não cabe nele.

Suely Caldas*, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2029 | 00h00

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