Faltam creches e apoio a mães trabalhadoras

Governo começa ampliar idade de aposentadoria e empresas adaptam o ambiente de trabalho para funcionários idosos

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 02h14

Mães que tentam trabalhar na Alemanha enfrentam obstáculos que desestimulam a criação de famílias grandes. Embora a Alemanha tenha aprovado recentemente uma lei que assegura creche para todas as crianças com mais de 12 meses, em comparação com 3 anos ou mais de antes, especialistas dizem que ainda há uma escassez de instalações. Muitas escolas soltam os alunos às 12h, e são poucos os programas pós-escolares.

Melanie Vogel, 39 anos, de Bonn, descobriu que misturar trabalho e maternidade era tão solitário, desanimador e caro que ela decidiu ter só um filho. Nenhuma de suas amigas trabalhava em tempo integral, sua sogra deixou claro que desaprovava, e o mesmo fizeram clientes da empresa de feira de empregos que ela dirige com o marido.

"Antes de meu filho nascer, eu era Melanie, uma mulher de negócios", disse Vogel. "Após meu filho nascer, para muita gente, sou apenas uma mãe."

Mães trabalhadoras se veem empurradas para "mini" trabalhos mal remunerados - talvez 17 horas por semana por cerca de US$ 600 mensais. Mais de quatro milhões de trabalhadoras na Alemanha, cerca de um quarto da força de trabalho feminina, têm empregos assim.

Outra maneira de se ajustar para o declínio populacional é fazer com que trabalhadores mais velhos adiem a aposentadoria. O governo alemão está elevando aos poucos a idade de aposentadoria de 65 para 67 anos, e companhias agem para se adaptar. A faixa de pessoas com 55 a 64 anos na força de trabalho passou de 38,9% em 2002 para 61,5% em 2012.

A Volkswagen redesenhou sua linha de montagem para facilitar operações de trabalho que exigem esforços excessivos do corpo dos trabalhadores.

Há cerca de três anos, eles começaram a usar assentos giratórios que oferecem apoio para as costas em pontos de difícil acesso nos automóveis e a instalação de partes pesadas é quase inteiramente automatizada.

Outras empresas estão oferecendo horários flexíveis. Hans Driescher, físico formado na antiga Alemanha Oriental, tem 74 anos e continua empregado no Centro Aeroespacial Alemão quase uma década depois de ter atingido a idade para a aposentadoria compulsória. Ele começou trabalhando 55 horas por mês, mas agora reduziu para 24.

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