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Faltam desde eletrônicos até medicamentos

Algumas lojas que revendem apenas produtos importados estão fechando as portas em Buenos Aires

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h07

Grandes empresas como Apple e Sony exibem vitrines quase vazias em Buenos Aires, já que os produtos não são liberados nos portos. Um dos casos é o playstation PS Vita, da Sony. A empresa - segundo informações não oficiais - demitiu 50 pessoas no país nas últimas semanas.

Vários outros produtos eletrônicos também estão em falta. Matías Rothkopf, especialista em Social Media, disse que, por causa da falta de insumos para eletrônicos, teve de vender um computador que não conseguia consertar por falta de peças.

"O cara que comprou meu computador estava muito feliz, porque desmancharia a máquina para revender peças que estão faltando no mercado", explicou. "Computadores usados são um elemento muito apreciado hoje em dia em Buenos Aires, mesmo que não funcionem."

Matias aproveitou uma viagem a Nova York para comprar um iPhone. Na Argentina, nos sites de revendas da internet, o preço é o dobro dos Estados Unidos. Nas lojas, não aparecem iPhones há meses. "Nos EUA, vi muitos argentinos comprando eletrônicos e até peças de automóveis."

Medicamentos. A falta crescente de remédios oncológicos desespera os parentes das pessoas sob tratamento. "Meu marido morreu em janeiro, de câncer. Conseguimos todos os remédios importados, embora com muito esforço. Na etapa terminal, também era difícil conseguir fraldas geriátricas", lamentou Jorge, um ex-CEO cubano-americano que, junto com Albert, seu marido, havia decidido passar os anos de aposentadoria em Buenos Aires. "Este é um país com uma classe política que não está nem aí com o povo."

As barreiras também atingiram a entrada de ansiolíticos como o Rivotril e Lexotan. "O problema é que a produção local de genéricos desses produtos não é suficiente para cobrir a crescente falta de tranquilizantes", disse o diretor de uma empresa farmacêutica em off.

A vaidade feminina também está em xeque na Argentina, já que faltam diversas linhas de cosméticos, entre eles Natura, Mary Kay e Avon. Para evitar problemas, os catálogos exibem somente os produtos em estoque.

O setor vinícola também está em problemas, pois não há peças para adegas, colheitadeiras e faltam produtos químicos para os vinhedos. Várias empresas vinícolas tiveram que suspender ou atrasar suas vendas ao exterior.

Lojas fechadas. Lojas que abasteciam-se totalmente de produtos provenientes do exterior estão com problemas. Em março, a Barbour, tradicional marca inglesa de jaquetas impermeáveis, fechou as portas na Recoleta, em Buenos Aires. Outra tradicional marca de roupas, a Daniel Hechter, está a ponto de fechar as portas na Avenida Santa Fé. / A.P.

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