Faltam regras para o setor elétrico, diz Gros

O presidente da Petrobras, Francisco Gros, admitiu que o setor elétrico precisa de mais definições regulatórias para que os investidores tenham tranquilidade no desenvolvimento de projetos. Gros, que era coordenador do comitê de revitalização do setor da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), fez a afirmação em sua primeira entrevista após a posse como presidente da estatal, uma das maiores investidoras no setor elétrico brasileiro.Segundo ele, a solução das incertezas é fundamental para que os investidores, incluindo a Petrobras, possam voltar a destinar recursos com o mesmo "entusiasmo" que vinham fazendo. A Petrobras tem investimentos previstos em US$ 1 bilhão na geração de energia, que estão sendo revistos face às incertezas do setor.São 21 térmicas que terão capacidade para gerar 8,3 mil MW (megawatts). Somados aos aportes feitos pelos parceiros da estatal, o volume de recursos para os projetos chega a US$ 6 bilhões. A revisão do programa da estatal, por enquanto, refere-se apenas ao cronograma de construção das usinas.Para Gros, questões como o preço da energia, o transporte e para quem ela será vendida ainda provocam dúvidas nos investidores. Em seu último ato como coordenador do comitê de revitalização do setor, ele anunciou o fim do Mercado Atacadista de Energia e a separação da energia velha das hidrelétricas da energia nova das térmicas na formação dos preços do mercado.Gros avalia que o Brasil deve ter calma nos investimentos em energias chamadas renováveis, como eólica e solar. "Quando ouço o europeu falando que vai investir em energia solar para ter eletricidade a um custo de US$ 120 por megawatt-hora (MWh), fico feliz ao lembrar que 93% de nosso parque gerador é hidráulico, uma energia também renovável e que tem um custo de US$ 20 a US$ 30 por MWh", disse. Na sua opinião energia mais cara significa aumentar o custo Brasil.O presidente da Petrobras reafirmou que a empresa não terá prejuízos na Argentina, onde assumiu, na virada do ano, 12% do mercado de distribuição de combustíveis e uma refinaria. "Negociamos as proteções necessárias para evitar perdas", afirmou. A troca de ativos com a hispano-argentina Repsol-YPF prevê indenizações caso os negócios não atinjam a rentabilidade esperada. "Um investimento deste porte tem de ser feito olhando a longo prazo e oportunidades como esta não acontecem todo dia. Foi um negócio absolutamente fundamental para a companhia", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.