Família de baixa renda têm inflação maior em SP

Foi muito forte a diferença do impacto da inflação em maio para as famílias de maior e menor poder aquisitivo na cidade de São Paulo, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Enquanto a inflação para as famílias cuja renda média é de R$ 377,49 foi de 0,61%, a das famílias com nível intermediário (R$ 934,17) ficou em 0,46% e a das mais ricas (R$ 2.792,90), em 0,31%, uma diferença de 0,30 ponto porcentual (pp) entre as duas pontas. A taxa média do mês em questão foi de 0,39% ante 0,50% registrada em abril.O principal motivo para a diferença foi a alta generalizada dos produtos alimentícios, que apresentam um peso maior no consumo das famílias menos abonadas. Em janeiro, também houve uma alta deste grupos, que acabou prejudicando as famílias com maior poder aquisitivo porque a maior alta foi do segmento alimentação fora do domicílio.O grupo Alimentação subiu 0,85% em maio, contribuindo para o índice geral em 0,22 ponto porcentual. De acordo com os técnicos do Dieese, os aumentos ocorreram, principalmente, nos produtos da indústria alimentícia (1,12%) e nos in natura e semi-elaborados (0,76%). Mês ilustrativoEm maio, o maior aumento do grupo Alimentação, que apresenta maior participação nos gastos das famílias do estrato 1 (34,34%) foi responsável sozinho por 0,40 ponto porcentual da inflação de 0,61% deste grupo de pessoas. No caso das famílias com rendimento intermediário, este impacto foi de 0,29 pp e no das famílias mais abastadas, de 0,14 pp."Já a taxa negativa do grupo Transportes beneficiou mais as famílias do estrato 3", explicou a coordenadora do ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto. O grupo recuou 0,20% contribuindo para a inflação deste estrato com uma taxa negativa de 0,04 ponto porcentual, enquanto o impacto do estrato 1 foi de apenas -0,01pp. "Este mês foi bem ilustrativo para mostrar como os aumentos de preços afetam de forma diferente os segmentos da sociedade", afirmou Cornélia.De acordo com Cornélia, desde o início do ano até maio as famílias mais prejudicadas pela inflação foram as de menor nível de rendimento. "A precariedade econômica as leva a concentrar grande parte de seus gastos em bens e serviços de primeira necessidade", afirmou.

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