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Família Diniz reestrutura empresa que aluga imóveis para o Pão de Açúcar

Acionistas da companhia convocaram uma assembleia em que vão apresentar um plano de unificação societária; movimento pode ser o primeiro passo do empresário na tentativa de levantar recursos e aumentar fatia no Carrefour global

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2015 | 02h04

A família Diniz convocou para esta sexta-feira, 16, uma assembleia em que vai discutir a unificação das empresas que detêm os ativos imobiliários do empresário Abilio Diniz e de seus filhos, apurou o 'Estado'. Esses 60 imóveis, avaliados em cerca de R$ 2 bilhões, segundo fontes de mercado, estão alugados para os supermercados Pão de Açúcar, controlados pelo grupo francês Casino.

A simplificação societária é considerada legal juridicamente. Mas, diante do relacionamento conturbado que Abilio Diniz manteve com os antigos sócios franceses nos últimos anos, reacende uma luz amarela no mercado.

O movimento ocorre um mês depois de o empresário Abilio Diniz ter anunciado a compra de 10% do Carrefour Brasil, principal concorrente do Pão de Açúcar, líder de mercado, que pertencia à família Diniz. A fatia dele na subsidiária brasileira poderá chegar a 16% em cinco anos. O empresário também detém cerca de 3% das ações do Carrefour global.

Em maio de 2005, ainda quando fazia parte do Pão de Açúcar, o empresário e o Casino divulgaram, em comum acordo, um fato relevante ao mercado informando que a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), dona da rede varejista, transferiu para Abilio Diniz 60 imóveis, com o objetivo de reduzir o endividamento da companhia. A transação foi de R$ 1,029 bilhão. Essas lojas, àquela época, representavam 30,5% das vendas realizadas pela rede. No contrato, o empresário se comprometeu a alugar os imóveis por 40 anos (20 anos, renováveis por mais 20).

O pagamento dessas 60 lojas ao Casino não foi feito à vista. A Península, gestora de recursos da família Diniz, assinou um contrato de compra, que previa o pagamento em 240 meses. Nessa operação, a empresa Zabaleta Participações, que pertence à família Diniz (o Casino tem apenas uma cota), adquiriu certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) para o financiamento dos imóveis. A Zabaleta é uma empresa que fica abaixo da PAIC Participações, que pertence à família Diniz e à Península.

Em 2009, Abilio Diniz decidiu dividir a Zabaleta em sete pequenas empresas (conhecidas no mercado como "zabaletinhas") e distribuiu parte dos ativos imobiliários entre seus filhos (João Paulo, Pedro Paulo, Ana Maria e Adriana) e para ele próprio. As outras duas "zabaletinhas" ficaram com participações remanescentes nos imóveis. Em 2014, o GPA pagou R$ 174 milhões pelos aluguéis.

Ao convocar a assembleia, a família pretende simplificar a estrutura societária, transferindo parte das "zabaletinhas" para o PAIC, no qual Abilio Diniz será o presidente e seus quatro filhos diretores. Os filhos também vão contribuir com aumento de capital e participação no PAIC, apurou o Estado.

Fontes de mercado acreditam que Abilio Diniz pretende, com esse movimento de simplificação societária, que é legal juridicamente, vender os ativos ou fazer um levantamento de capital, por meio do PAIC, para continuar o investimento em projetos imobiliários. O empresário pode vender os imóveis. No entanto, para isso, tem que dar direito de preferência para o GPA, controlado pelo Casino.

Assembleia. A Península confirmou ao Estado a realização da assembleia, mas disse que a operação faz parte de uma reestruturação que já ocorre nos últimos meses e que os ativos dos quatro filhos adultos de Abilio não estão nessa unificação.

Segundo fontes de mercado, esse movimento pode fazer parte de uma estratégia do empresário para levantar dinheiro e aumentar sua fatia no Carrefour Global, uma vez que na subsidiária brasileira tem apenas dois assentos no conselho de administração e não é gestor.

Em dezembro, em conferência a jornalistas, Abilio Diniz disse que a compra de ações no Carrefour global foi uma decisão de investidor, feita por meio da Península, braço de investimento da família, que tem ativos em educação, como a Anima, e participação na BRF, indústria de alimentos da qual Abilio Diniz é presidente do conselho de administração. Procurado, o Casino não retornou aos pedidos de entrevista.

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