Família Real estoura as contas

Parlamento inglês questiona finanças da rainha

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2013 | 02h12

As finanças da rainha da Inglaterra, Elizabeth II, foram abertas para escrutínio ontem, com o Parlamento usando pela primeira vez seus novos poderes para questionar o principal assessor financeiro da monarquia sobre o motivo da Casa Real estar esbanjando dinheiro enquanto o resto do país passa por um período de austeridade.

 

Durante a audiência com o tesoureiro da rainha, Alan Reid, vieram à tona informações raras sobre o estilo de vida da família real, incluindo detalhes sobre o antiquado sistema de calefação do Palácio de Buckingham, o crescente uso de energia e o desconfortável trem real, com sua decoração da década de 70. Durante uma hora e meia os parlamentares questionaram o representante real sobre a razão dos gastos da rainha terem ficado em £ 33,3 milhões no último ano fiscal - encerrado em 31 de março - quando o orçamento era de £ 31 milhões.

O déficit fez com que a família real, que emprega quase 1,2 mil pessoas, tivesse de retirar £ 2,3 milhões do fundo de reserva, cujo saldo assim caiu para apenas £ 1 milhão. "Em função do estado das finanças públicas, todos os serviços financiados pelo erário público têm enfrentado cortes. O que eu não entendo é por que isso não levou a família real a cortar gastos, para viver de acordo com seus recursos", afirmou Margareth Hodge, presidente do Comitê de Contas Públicas.

Segundo Reid, os gastos da família real aumentaram por causa do Jubileu de Diamante de Elizabeth II, celebrado em 2012. "Nós realmente acreditamos que não é sábio reduzir o ritmo de atividade da monarquia", comentou o tesoureiro, alegando que os eventos da família real atraem turistas e colaboram assim para a economia do Reino Unido.

A mudança na legislação que permitiu o depoimento do tesoureiro da rainha foi feita em abril, como parte de uma ampla reforma na fiscalização das finanças da família real. Também mudou a forma como a monarquia é financiada, na maior reformulação desde 1760, quando o rei George III concordou em entregar a renda oriunda das propriedades da coroa para o Tesouro, em troca de um pagamento anual.

Agora a família real recebe o equivalente a 15% da renda das propriedades da coroa nos últimos dois anos. Essas propriedades são avaliadas em £ 7,3 bilhões, com fazendas de gado na Escócia, imóveis em Londres e minas no sul da Inglaterra. / DOW JONES NEWSWIRES

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