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Famílias gregas reduzem gastos com alimentos

Um total de 26 mil pessoas recebem semanalmente a ajuda, dez vezes mais que em 2012.

Jamil Chade, enviado especial, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2017 | 05h00

ATENAS, GRÉCIA - Centros de distribuição de alimentos se proliferam, ao passo que 40% das famílias gregas admitem que cortaram a compra de comida. Um total de 26 mil pessoas recebem semanalmente a ajuda, dez vezes mais que em 2012. O problema é que o dinheiro das entidades beneficentes está acabando e muitas estão com uma parcela de suas prateleiras vazias.

No setor de saúde, os cortes promovidos pelos diferentes governos deixaram milhares de gregos sem assistência, o que levou o médico Giorgos Vichas a criar uma clínica comunitária em Helliniko, em Atenas. “A austeridade matou gente na Grécia”, criticou. “Para os pacientes de câncer, muitos precisam esperar de três a seis meses para passar por um tratamento, o que muitas vezes significa a condenação dessas pessoas.”

À reportagem, o médico mostrou números que, segundo ele, “provam” que a crise na Grécia é hoje uma questão social. “Em 2010, a taxa de mortalidade entre crianças com menos de 5 anos era de 2 para cada mil. Em 2015, esse número dobrou.”

O que Vichas vê na prática é também o que mostra um levantamento realizado em 2016 pela Organização Mundial da Saúde. A entidade concluiu que, com a crise, a Grécia tem hoje uma taxa de leitos 27% abaixo da média da Europa. Por habitante, o total gasto com saúde caiu de US$ 3,1 mil em 2008 para US$ 2,4 mil em 2014 e 35% abaixo da média da UE.

Quem também passou a ajudar de forma ativa é a Igreja Ortodoxa. O número de pessoas atendidas dobrou em dois anos e a Igreja passou a ajudar os mais pobres a pagar contas de eletricidade e água.

Pobreza. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica de Colônia, na Alemanha, a pobreza na Grécia aumentou 40% entre 2008 e 2015. No mesmo período, outros países resgatados pela UE – como Irlanda ou Espanha – registraram um aumento da pobreza de 18% a 11%. “A Grécia foi o grande perdedor da crise internacional”, indicou o levantamento.

Segundo o estudo, a pobreza foi ampliada por causa das políticas de austeridade que exigiram cortes em saúde e educação. Os dados deixam claro que economizar é um luxo para poucos. Apenas 13% dos gregos conseguem poupar. Nos primeiros anos da crise, essa taxa era de 22%. 

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