Ernesto Rodrigues/Estadão
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Famílias Odebrecht e Gradin chegam a acordo em briga societária de quase uma década

Família Gradin chegou a pleitear R$ 12 bilhões da Odebrecht; agora, segundo fontes, receberá um valor bem inferior, dividido em 40 anos

Fernando Scheller e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2020 | 19h46

Uma das maiores brigas societárias do País, que se estendeu por quase uma década, acaba de chegar ao fim. Segundo apurou o Estadão, as famílias Odebrecht e Gradin, sócias na gigante de infraestrutura, chegaram a um acordo para uma briga que começou em 2011 e é relativa à participação de pouco mais de 20% que os Gradin detinham na Odebrecht. Os sócios majoritários ofereceram US$ 1,5 bilhão (o que, com o dólar da época, não representava R$ 3 bilhões), mas os minoritários não aceitaram (chegaram a pedir R$ 12 bilhões), dando início à disputa.

Segundo fontes próximas ao acordo, a família Gradin agora deve receber só uma parte do valor que pleiteava lá atrás – e o recebimento vai seguir os trâmites da recuperação judicial da Odebrecht. O Estadão apurou que o acordo prevê o pagamento de um total de R$ 6 bilhões, divididos em 40 anos, e condicionados à disponibilidade de caixa da companhia. A paz entre as partes teria sido costurada sob a supervisão de Emilio Odebrecht.

O acordo chega em um momento muito difícil para a Odebrecht, que viu seu império desmoronar após um intricado esquema de corrupção envolvendo o grupo ter sido revelado pela Operação Lava Jato. A gigante pediu a proteção da Justiça para tentar desatar o nó de uma dívida de cerca de R$ 100 bilhões.

Histórico

O patriarca Victor Gradin, que faleceu em 2019 e era uma figura próxima da família Odebrecht, ingressou na empresa na década de 1970, quando ela ainda operava somente na Bahia. A família Gradin tornou-se, dessa forma, a segunda maior participação acionária no grupo depois da família Odebrecht.

As duas famílias trabalhavam na companhia, lado a lado, até a disputa societária começar. Filhos de Victor, Bernardo e Miguel Gradin presidiram empresas do grupo até 2010. Diante da desavença, Victor foi destituído do conselho da Odebrecht, em 2011. O caso chegou a ir para arbitragem, em 2015, mas só agora foi solucionado.

Em comunicado interno divulgado ontem, o diretor-presidente da Odebrecht S/A, Ruy Sampaio, enviou a seguinte mensagem: "A Graal Participações S.A., empresa controlada pela família Gradin, a Kieppe Participações e Administração Ltda. e a Odbinv S.A., empresas do Grupo Odebrecht, assinaram hoje, 24/09/2020, com a interveniência da Odebrecht S.A., um acordo para encerrar todos os litígios e disputas existentes entre si."

Na nota aos funcionários, Sampaio dizia que "esta pacificação é significativa e fundamental, por encerrar conflitos de muitos anos e por permitir que essas empresas possam se concentrar nos seus negócios e operações".

Procurada, a Odebrecht não comentou oficialmente. Representantes da família Gradin não foram encontrados.

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