Fannie Mae pede mais US$ 19 bilhões

Valor será obtido com venda de ações e eleva para US$ 34 bilhões o total da ajuda do governo dos EUA à agência

Agências internacionaiS, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

A agência de crédito hipotecário Fannie Mae pediu mais US$ 19 bilhões ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para continuar operando, após informar que seu prejuízo disparou no primeiro trimestre. As perdas apuradas no período foram de US$ 23,2 bilhões. No entanto, o prejuízo foi menor que o do quarto trimestre do ano passado, quando a agência perdeu US$ 25,2 bilhões. Ontem, os papéis da hipotecária Fannie Mae tiveram queda de 2,72% na Bolsa de Nova York.A injeção dos US$ 19 bilhões já está garantida e foi acertada na quarta-feira, segundo documento registrado na Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão reguladora do mercado financeiro americano). A operação será feita por meio da compra de ações preferenciais e elevará para US$ 34 bilhões o total de dinheiro público injetado na agência. Em fevereiro, o Tesouro americano dobrou para US$ 200 bilhões seu compromisso de oferta de capital, por meio de compra de ações preferenciais, para a Fannie Mae e para sua maior rival, a Freddie Mac. Ambas estão sob intervenção do governo americano desde setembro do ano passado e têm sobrevivido à crise graças às injeções de recursos. A Freddie Mac efetivamente já recebeu US$ 45 bilhões em capital por meio da compra de ações ordinárias. As perdas da Fannie Mae no primeiro trimestre essencialmente refletem provisão de US$ 20,3 bilhões contra perdas futuras com crédito, em meio à maior onda de execução de hipotecas já registrada desde a década de 1930. Em consequência, as reservas contra perdas combinadas, que eram de 20,8% três meses antes, subiram para 28,8% dos empréstimos inadimplentes até 31 de março. A Fannie também registrou uma baixa contábil adicional de US$ 5,7 bilhões sobre títulos disponíveis para a venda envolvendo hipotecas subprime e hipotecas de menor risco. REAÇÃO DOS BANCOSUm dia depois de o Departamento do Tesouro americano ter afirmado que 10 dos 19 maiores bancos americanos precisam levantar US$ 74,6 bilhões de capital extra para suportar uma possível piora da crise, os bancos Wells Fargo e Morgan Stanley lançaram papéis no mercado e conseguiram captar US$ 16,6 bilhões. Eles foram os primeiros bancos a tomar iniciativa de recapitalização para se enquadrar às exigências do governo americano, anunciadas com base no resultado dos "testes de estresse" a que foram submetidas as instituições financeiras desde fevereiro. Segundo o diagnóstico do governo americano, o Wells Fargo precisa de US$ 13,7 bilhões e o Morgan Stanley, de mais US$ 1,8 bilhão, para se manterem viáveis.Mas em apenas um dia o Wells Fargo já atraiu US$ 8,6 bilhões em ações ordinárias, 43% mais do que havia planejado. E o Morgan Stanley captou outros US$ 8 bilhões na venda de ações e de papéis da dívida - US$ 5 bilhões a mais do que havia anunciado ontem, mostrando que os investidores estão confiantes na saúde dos bancos. Com as operações, as ações do Wells Fargo fecharam o pregão de ontem com uma valorização de 13,81%, a US$ 28,18, após terem iniciado o dia em baixa. As do Morgan Stanley subiram 3,91%, vendidas a US$ 28,20.

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