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Fantasma da década perdida ronda os EUA

Obama quer ação rápida para evitar os erros do Japão

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

O fantasma da década perdida japonesa ronda os Estados Unidos. O presidente Barack Obama alertou em sua primeira entrevista coletiva para o perigo de não agir de forma audaciosa e rápida. "Nós vimos isso no Japão nos anos 90, e como consequência eles tiveram uma década perdida", disse. Há fundamento na analogia, dizem especialistas. O BC japonês demorou para combater a deflação, o estímulo fiscal foi interrompido e o governo não começou a limpar e recapitalizar seus bancos até 98, uma década após o estouro da bolha. Como resultado, o PIB japonês cresceu cerca de 1% por dez anos e a dívida do governo cresceu 80 pontos porcentuais do PIB.Os EUA não querem repetir esses erros. "Precisamos de uma intervenção vigorosa: vai ser um processo doloroso, dois anos de recessão profunda e quebra de bancos. Mas é melhor do que ter uma década perdida como a do Japão, em que ficaram sustentando bancos zumbis e a economia demorou dez anos para sair da crise, só se recuperou quando realmente limparam o sistema financeiro", diz Josh Rosner, diretor-gerente da empresa de pesquisas Graham-Fisher.Rosner usa uma historinha para ilustrar a situação. "Alguém perde o emprego e pede conselho à mãe. Ela diz: ora, venda o Rolex. E o filho: mas eu paguei US$ 40 mil e agora só está valendo US$ 20 mil. A mãe responsável diria: você não tem opção, venda por US$ 20 mil. É isso que o Tesouro deve fazer." O sistema financeiro precisa ser expurgado de ativos tóxicos, ou os bancos não vão se recuperar, diz o professor de economia da Universidade de Nova York, Lawrence J. White. Os bancos estão mergulhando em buracos sem fundo. O Citibank, por exemplo, foi "salvo" duas vezes, consumindo US$ 45 bilhões e mais US$ 300 bilhões em garantias. E precisará de mais uma rodada. O valor dos ativos tóxicos dos bancos nos balanços não para de cair e os empréstimos (financiamento de veículos, cartão de crédito, etc) estão tendo inadimplência cada vez maior - então eles precisam reservar um capital maior para compensar essas perdas, mas muitas vezes não têm esse capital."O resgate dos bancos vai sobrecarregar o Tesouro e os estrangeiros poderão reduzir sua capacidade, e disposição, de nos financiar", diz Rosner. Por isso muitos analistas falam na necessidade de nacionalizar os bancos ou fazer uma purificação do sistema, deixando as instituições insolventes quebrarem em vez de subsidiar a compra dos ativos tóxicos.As propostas para tirar os bancos desse ciclo vicioso vão de nacionalização a intervenções temporárias como a Resolution Trust Corporation (RTC) .

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