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Fantasma da deflação volta a assustar os EUA

Os milhões de americanos que foram às compras ontem, no primeiro dia da temporada natalina, encontraram preços reduzidos numa grande variedade de produtos e serviços. As promoções especiais, que começaram mais cedo este ano, são uma tentativa do comércio de dar uma injeção de ânimo na vacilante economia americana. Nos anos 90, preços reduzidos foram festejados pelos economistas como boa notícia, pois eram reflexo do repasse aos consumidores da redução de custo por unidade alcançada com os espetaculares ganhos de produtividade obtidos graças à integração das novas tecnologias de informação na produção, distribuição e nos serviços. No atual quadro de anemia econômica, no entanto, a redução generalizada de preços alimenta temores de que os Estados Unidos estejam caminhando para um indesejável ciclo de deflação. "Se você tivesse me perguntado um ano atrás, diria que seria ridículo se preocupar com deflação", disse ao Washington Post o economista Alan S. Blinder, professor da Universidade de Princeton e ex-vice presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). "Mas a perspectiva de deflação é suficientemente provável - entre 15% e 20% - para justificar falar-se à respeito." Na deflação, ocorre o oposto da inflação: o excesso de oferta faz com que os preços, incluindo os salários, entrem numa espiral descendente. As duas deflações mais estudadas aconteceram nos EUA e na Europa, nos anos 30 do século passado, e no Japão, na última década. A Grande Depressão americana e européia só acabou com a nova dinâmica de produção imposta pela 2.ª Guerra, no início da década seguinte. O Japão, que tem o segundo maior Produto Interno Bruto do planeta, procura em vão a saída para sua profunda fossa econômica. Adam S. Posen, do Instituto de Economia Internacional, em Washington, vê duas diferenças entre os dois ciclos deflacionários do século 20 e a situação atual da economia dos EUA. Nos dois casos, diz ele, os bancos centrais foram tímidos em suas ações para estimular a economia. Além disso, em ambas, o estouro da bolha financeira levou o sistema à bancarrota e provocou o desaparecimento do crédito. Posen lembra que, apesar das perdas que sofreram com o colapso das empresas de alta tecnologia e, mais recentemente, após os escândalos contáveis em grandes corporações, os bancos americanos estão capitalizados. Ainda assim, a conversa sobre a deflação já é parte das preocupações das autoridades monetárias e financeiras. Em recente depoimento no Congresso, o presidente do Fed, Alan Greespan disse que embora a economia não esteja "próxima do abismo da deflação", o banco central americano está atendo para a possibilidade. De acordo com o Post, na semana passada, um dos governadores do Fed, Ben S. Bernanke, deixou clara a preocupação das autoridades monetárias americanas diante da perspectiva de uma deflação nos EUA fazendo um discurso sobre o tema com o sugestivo título: "Garantir que ela não acontecerá aqui". "O risco de deflação é maior hoje do que em qualquer outro momento no último meio século", afirmou Stephen S. Roach, economista do banco de investimentos Morgan Stanley. Ele assinala que o as pressões deflacionárias são produzidas não apenas pela "desinflação" na economia americana mas, também, pelos custos de produção decrescentes em países como a China e a Índia, que exportam um crescente leque de produtos e serviços a preços cada vez mais competitivos, alimentando a dinâmica baixista dos processos deflacionários. Este aspecto da globalização da produção neutraliza em parte o efeito das políticas monetárias estimulativas adotadas pelos bancos centrais, tais como a redução de juros, diz Roach.

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